Local onde usina seria instalada gerou polêmica pela localização, próximo a cabos que conectam a internet em todo o país. Após meses de polêmica, usina mudou de lugar e projeto foi aprovado.
Um imóvel na Praia do Futuro foi entregue pela União à Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) para a instalação da planta da Dessal do Ceará, usina de dessalinização de água marinha. A cessão foi publicada no Diário Oficial da União na última sexta-feira (12).
O projeto se viu envolto em polêmicos após empresas de telecomunicação alegarem que a localização da usina poderia afetar os cabos submarinos que conectam a internet de todo o Brasil e parte da América Latina. Diante da pressão das empresas, o governo cedeu e mudou de local.
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O terreno fica localizado entre o calçadão e o mar da Praia do Futuro, no trecho que vai da Rua Ismael Pordeus até a Rua Miguel Calmom. A área total é de 88.300 m², avaliada em R$ 31.266.147.
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Conforme Fábio Galvão, superintendente do Patrimônio da União no Ceará, a Dessal tem como contra partida para a cessão gratuita realocar as famílias devidamente já cadastradas. Ao saírem, a administração da usina deve urbanizar toda a área, e será para uso público a parte que não for a planta da usina, devolvendo para a cidade uma área pública e urbanizada.
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União doa ao Ceará terreno para instalação de usina de dessalinização na Praia do Futuro, em Fortaleza. — Foto: Google Maps/Street View
Em setembro, a Dessal do Ceará, obteve a licença de instalação da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), o que deixa o projeto mais próximo de se concretizar. A expectativa da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) é começar as obras ainda neste ano.
Com a emissão da licença pela Semace, a Dessal do Ceará precisará obter ainda algumas permissões, como o alvará de construção que deve ser emitido pela Prefeitura de Fortaleza, e então as obras vão poder começar. A previsão é que, uma vez iniciadas, as obras terminem em dois anos.
Além do alvará, a empresa Águas de Fortaleza – vinculada à Cagece e que será responsável pela operação da usina – deve apresentar um projeto de canteiro de obras, que passará também pela aprovação da prefeitura.
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A planta de dessalinização fará o tratamento da água do mar com a tecnologia de osmose reversa. — Foto: Cagece/Divulgação
O projeto da Dessal é capitaneado pela Cagece e vai utilizar a tecnologia de osmose reversa para tornar potável a água do mar. A usina deve ter capacidade de produção de água de 1 m³ por segundo (mil litros por segundo). Conforme o Governo do Ceará, o projeto vai ajudar a garantir a segurança hídrica no estado.
A localização da usina, porém, era motivo de oposição das empresas de telecomunicações ao projeto, que diziam que as estruturas da usina podem afetar os cabos e interromper o funcionamento da internet no Brasil.
Após reclamações das empresas de telecomunicação, o equipamento foi mudado de local para ficar mais distante dos cabos subterrâneos de internet que passam pelo local. A realocação da usina para um novo local havia sido anunciada pelo governador Elmano de Freitas no último dia 14 de junho.
A usina vai continuar localizada na Praia do Futuro, mas será instalada a mais de 1.000 metros do local que estava previsto, o que, conforme os responsáveis pelo projeto, vai afastar qualquer risco. A estrutura de captação das águas do mar também vai ser deslocada com a usina. A licença emitida agora pela Semace é justamente para o funcionamento neste novo local.
As obras da usina serão feitas por meio de parceria público-privada do consórcio SPE – Águas de Fortaleza, que venceu edital da Cagece com investimento previsto de R$ 3,2 bilhões.
Polêmica com o local da usina
Fortaleza é o ponto central dos cabos que abastecem a internet no Brasil — Foto: Globo/Reprodução
A localização da usina na Praia do Futuro era motivo de oposição das empresas de telecomunicações, que diziam que as estruturas da usina poderia afetar os cabos e interromper o funcionamento da internet no Brasil, causando um “apagão” de conexão no país.
A Praia do Futuro é um dos locais no Brasil mais próximos da Europa e por isso é o lugar que primeiro recebe cabos de fibra ótica do continente. A partir da Praia do Futuro, esses cabos vão para Rio de Janeiro, São Paulo e países da América Latina. Esses cabos são responsáveis por 99% do tráfego de dados do Brasil.
O bairro também costuma ter uma das águas mais limpas da orla de Fortaleza, por isso é defendido que a usina seja construída no local, uma vez que tornaria o processo de dessalinização da água mais fácil e mais barato.
O possível risco da instalação da usina, segundo a associação de operadoras TelComp, era que a estrutura da usina, que capta água no fundo do mar, possa romper os cabos submarinos. Se os cabos forem rompidos, o fornecimento de internet poderia ser afetado em todo o continente, deixando usuários off-line ou com internet lenta.
Ao longo de todo o imbróglio, a Cagece, empresa estatal do governo cearense responsável pela usina, defendeu que o projeto não apresentava nenhum risco ao funcionamento dos cabos submarinos localizados na Praia do Futuro”.
Ao fim de meses de polêmica, em junho de 2024 o Governo do Estado cedeu e mudou a localização do projeto da usina, que continuou na Praia do Futuro, porém em uma posição mais afastada do ponto onde os cabos de internet convergem.
Após o anúncio da mudança de local, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) avaliou que o novo local de instalação de usina no Ceará não põe internet do país em risco. A mudança foi anunciada em junho do ano passado e, desde então, o projeto aguardava as licenças necessárias.
G1 CE








