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Proprietário da fazenda, motorista, advogado pernambucano: quem são os denunciados por plantação de 290 mil pés de maconha no CE

Evando Moreira
Jornalista, fundador, editor, analista político.

Os cinco homens são denunciados por tráfico de drogas, cultivo de maconha e associação para o tráfico. Dois deles ainda devem responder por permitir o uso de um imóvel para atividades relacionadas ao tráfico.

O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou cinco pessoas por envolvimento na plantação de 290 mil pés de maconha em Acopiara, no interior do Ceará. A plantação foi descoberta em junho deste ano e virou alvo de polêmica após uma série de denúncias sobre possíveis falhas das forças de segurança quanto à apreensão e destruição da droga.

Entre os denunciados estão João Holanda Neto, proprietário da fazenda; Cristiano Rodrigues de Lima, que havia arrendado a fazenda de João Holanda e seria o responsável direto pela plantação; e um advogado pernambucano, Geraldo Dário Soares, que seria o responsável técnico pela plantação.

Os outros dois denunciados seriam responsáveis por atividades relacionados à lavoura, como compra e transporte de insumos. (Veja abaixo o que cada um fez)

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Os cinco homens são denunciados por tráfico de drogas, cultivo de maconha e associação para o tráfico. João Holanda e Cristiano Rodrigues também devem responder por permitir o uso de um imóvel para atividades relacionadas ao tráfico. O Ministério Público também pediu a expropriação da propriedade.

Conforme a denúncia, os acusados utilizaram cerca de 28 mil m² para o plantio da droga. A propriedade contava com sistema de irrigação por gotejamento, barracas de apoio e até maquinário importado da Espanha para o processamento do entorpecente.

O que cada denunciado fez, segundo o MP

Polícia Civil chegou a divulgar um vídeo de parte da plantação de maconha sendo derrubada por um trator e incinerada. — Foto: Polícia Civil/ Divulgação

Polícia Civil chegou a divulgar um vídeo de parte da plantação de maconha sendo derrubada por um trator e incinerada. — Foto: Polícia Civil/ Divulgação

De acordo com a denúncia do Ministério Público, os cinco denunciados se dividiam em dois eixos de atuação:

➡️Núcleo do Campo: composto por João Holanda Neto, apontado como proprietário de fato da fazenda, e Cristiano Rodrigues de Lima, arrendatário formal que geria o cotidiano da lavoura e os trabalhadores locais.

➡️Núcleo de Suprimento: formado pelo advogado pernambucano Geraldo Dário Soares e pelos agricultores Francisco Augusto Alves da Silva e Manoel Clênio Mendonça Leal Filho, responsáveis pela especificação, compra, retirada e transporte dos insumos de irrigação, fertilização e defesa da lavoura.

Plantio de maconha encontrado em terreno no Ceará tem drogas incineradas após denúncia

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Veja o que cada um fazia, de acordo com o MPCE:

  • João Holanda Neto:

Natural de Acopiara, João Holanda Neto é um agricultor de 60 anos apontado como proprietário de fato e possuidor indireto do imóvel; segundo o MP, continuou a administrar a fazenda mesmo sabendo que nela se cultivava maconha e teria consentido que Cristiano, que arrendou o local, utilizasse a propriedade para esse fim.

Entre outras coisas, ele manteve a conta de energia e a internet do local no seu nome, guardava itens na casa principal e teria ordenado a realização de reparos em algumas áreas da propriedade em uma época na qual a maconha já estava plantada.

Testemunhas relataram que ele visitava a propriedade com alguma frequência e a fazenda tinha uma plantação de 28 mil m² com irrigação e acampamento, no que o MP sugere ser improvável ele não ter notado.

O órgão ministerial afirma que João “não era locador alheio ao que se passava no imóvel, mas quem lhe garantia a cobertura de fachada e a infraestrutura.”

O g1 procurou a defesa de João Holanda Neto, que informou que não vai se pronunciar sobre o caso. O MP pediu à Justiça a manutenção da sua prisão preventiva.

  • Cristiano Rodrigues de Lima:

Apontado como figura central e o elo que ligava os dois núcleos de atuação do grupo (campo e suprimento), Cristiano Rodrigues é natural de Acopiara. Conforme a investigação, antes da plantação trabalhou como motorista. É apontado como a pessoa que arrendou a propriedade de João Holanda Neto e geriu diretamente a lavoura.

Ele foi responsável por contratar os outros denunciados, ordenava a compra de insumos como fertilizantes, fiscalizava o serviço de trabalhadores e realizava pagamentos. Também foi o responsável por informar aos demais que a polícia havia descoberto a plantação.

“Sem renda conhecida, Cristiano passou a circular em caminhonete L200 preta e confidenciou à irmã que se envolvera em algo em que não deveria, que não podia negar esse favor ao Fabiano [filho de João Holanda Neto] e que não teria como sair da situação”, descreve o MPCE.

Cristiano está foragido. O g1 não localizou sua defesa para comentar a denúncia.

  • Francisco Augusto Alves da Silva

Natural de Fortaleza e conhecido como “Giló”, tem 47 anos. Segundo a investigação, ele comprava em Iguatu os insumos do cultivo da maconha e os transportava até Acopiara para Cristiano, que foi o responsável por sua contratação.

Quando soube da ação policial, fugiu para o Maranhão com Manoel Clênio e depois se escondeu em Orós (CE), onde ambos foram preso em julho de 2026. Atualmente continua detido, e o MP pediu à Justiça a manutenção da sua prisão preventiva. O g1 não localizou sua defesa para comentar a denúncia.

  • Manoel Clênio Mendonça Leal Filho

Natural de Iguatu, Manoel Clênio, de 22 anos, conhecido como “Clênio Filho”, também era responsável pela compra, pelo pagamento e pela retirada dos insumos como adubo e outros itens da lavoura, como as cercas.

Quando soube da ação policial, fugiu para o Maranhão com Francisco Augusto e depois se escondeu em Orós (CE), onde ambos foram preso em julho de 2026. Atualmente continua detido, e o MP pediu à Justiça a manutenção da sua prisão preventiva. O g1 não localizou sua defesa para comentar a denúncia.

  • Geraldo Dário Soares

Natural de Itacuruba (PE), o advogado Geraldo Dário, de 58 anos, conhecido como “Geraldinho”, é apontado como o responsável técnico pela lavoura, enviando especificações sobre os insumos que deveriam ser comprados e como deveriam ser aplicados. Também custeava as compras.

Em uma ocasião, recusou adubo inadequado, afirmando que o produto entregue “não serve para a minha plantação”. Em outra ocasião, recusou outro adubo que, segundo ele, “prejudica a minha plantação” e anunciou que iria “pegar umas mudas” e obter “uma nova semente”.

Atualmente continua detido, e o MP pediu à Justiça a manutenção da sua prisão preventiva. O g1 não localizou sua defesa para comentar a denúncia.

O material foi encontrado em um sítio na cidade de Acopiara. — Foto: Divulgação/SSPDS

O material foi encontrado em um sítio na cidade de Acopiara. — Foto: Divulgação/SSPDS

Relembre o caso

A Polícia Civil encontrou uma plantação com cerca de 290 mil pés de maconha em Acopiara, no interior do Ceará. A descoberta foi feita durante uma operação das forças de segurança no município em 25 de junho de 2026.

A apreensão foi descrita como uma das maiores já realizadas no estado do Ceará. A Polícia Civil chegou a divulgar um vídeo da plantação de maconha sendo derrubada por tratores e incinerada no próprio local. (Veja no vídeo abaixo)

De acordo com a polícia, os agentes identificaram aproximadamente 160 mil pés de maconha plantados e outros 130 mil já colhidos, somando cerca de 290 mil pés.

Acampamento no Ceará continha toneladas de maconha e estrutura de trabalho

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Na época, a família de João Holanda Neto, proprietário do terreno, negou o envolvimento no esquema criminoso. Conforme Fabrício Holanda, sobrinho do denunciado, João Holanda arrendou o terreno para outra pessoa após o diagnóstico de câncer e estava afastado das atividades.

A Polícia Civil informou em 3 de julho de 2026 que concluiu a destruição e incineração dos pés de maconha. Segundo a corporação, a operação foi finalizada no dia anterior e utilizou uma técnica do Corpo de Bombeiros que consiste em cavar valas, queimar as plantas com gasolina e óleo diesel e depois cobrir o material com terra para evitar que o fogo se espalhe.

A operação gerou polêmica depois que o deputado federal André Fernandes publicou um vídeo mostrando restos de plantas enterrados na propriedade e questionou se a droga havia sido realmente incinerada.

A Polícia Civil afirmou que o material encontrado pelo parlamentar era composto por restos da plantação e de outras plantas destruídas. O governo estadual também informou que apuraria possíveis irregularidades na condução e na guarda do material apreendido.

G1 CE

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