
Amauri Silveira Filho, do Gaeco em Campinas (SP), revelou detalhes do plano para assassiná-lo e atrapalhar investigações contra organização criminosa e lavagem de dinheiro. Dois empresários suspeitos de financiar e articular a ação foram presos nesta sexta (29).
Uso de dois carros blindados e busca por “operadores experientes” para executar a emboscada com armamentos pesados estão entre detalhes do plano da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar o promotor Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Campinas (SP).
Dois empresários suspeitos de financiar e articular o plano foram presos temporariamente nesta sexta (29). Em entrevista exclusiva à EPTV, afiliada TV Globo, Amauri Filho apontou que havia a possibilidade de uso de ex-militares na tentativa de assassinato.
“Segundo trazido ao conhecimento do Gaeco, o plano consistiria na realização de uma emboscada com a utilização de dois veículos blindados, armamento pesado e com o emprego de operadores experientes, talvez ex-militares, que soubessem como executar a operação, como operar esses armamentos, como conduzir os veículos”, revelou.
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Amauri destacou que o Gaeco conduzia uma investigação contra a organização criminosa e lavagem de dinheiro, quando os promotores receberam a informação de que investigados e outras pessoas, até então desconhecidas, teriam se articulado para obstruir esse trabalho.
“A informação que chegou ao nosso conhecimento é que o objetivo desse atentado, dessa emboscada, seria, como já aconteceu no passado outras vezes, tumultuar a apuração dos fatos, desviar os olhares do Ministério Público, ou pelo menos, atrasar a investigação em andamento. E, na verdade, isso acaba efetivamente acontecendo, porque a gente teve que parar o trabalho que a gente estava fazendo, para executar o que a gente está fazendo hoje”, explicou.
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O promotor Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Campinas (SP), alvo do plano de assassinato do PCC. — Foto: Pedro Santana/EPTV
O mesmo plano tinha como objetivo assassinar o comandante de uma polícia de São Paulo, que não teve o nome e a função exata divulgados.
O promotor do Gaeco em Campinas disse ainda que há notícia que ele teria sido alvo de vigilância e levantamento de informações, e agora as investigações buscam confirmar o que de fato foi feito. E pontuou a gravidade do plano.
“A gente mostra uma situação preocupante que os criminosos ultrapassam mais uma linha, no sentido de afrontar contra o Estado democrático de direito”, diz.
Investigação
O Mp aponta que o plano teria sido articulado pelo empresário Maurício Silveira Zambaldi, preso em Campinas na manhã desta sexta (29), para recuperar o “prestígio” no meio criminoso depois de ser investigado por associação à organização criminosa Primeiro Comanda da Capital (PCC).
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Um dos principais articuladores do plano é Sérgio Luiz de Freitas Filho, o “Mijão”, um dos chefes do PCC que está entre os principais operadores do tráfico de drogas no país, segundo o MP.
Maurício é apontado como responsável por utilizar sua loja de motos na cidade, a Dragão Motors, para fazer a lavagem de dinheiro para a facção.
De acordo com o MP, o namorado da filha de Maurício também foi apreendido para apurar se houve tentativa de obstrução da justiça, porque a equipe encontrou o celular dele quebrado sobre o telhado de um imóvel vizinho durante a operação.
Em nota, o advogado que representa Maurício e o namorado da filha do suspeito informou que “ambos os investigados negam veementemente qualquer participação em plano que atente contra a integridade física de autoridades” e que “qualquer ilação em sentido contrário carece de fundamento”. – veja a nota na íntegra no fim da reportagem.
O promotor Amauri Silveira Filho conduziu investigações sobre esquemas de corrupção em contratos públicos e policiais civis envolvidos com tráfico de drogas.
Para planejar a morte do promotor, Maurício procurou o empresário José Ricardo Ramos, que também foi preso nesta sexta em Campinas. Ele teria providenciado a aquisição de veículos e armamento, além da contratação de executores para criar uma emboscada ao promotor.
O advogado que representa José Ricardo Ramos informou que acredita na inocência do cliente e afirma que ele “jamais aceitaria participar de um plano dessa natureza”.
O MP informou que as prisões dos empresários não possuem relação com a megaoperação contra esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis, realizada nesta quinta-feira (28).

Empresários são presos por envolvimento em plano do PCC para matar promotor em Campinas
Mandados cumpridos
A Justiça de Campinas expediu três mandados de prisão, mas o terceiro investigado segue foragido. Segundo o MP, trata-se de Sérgio Luiz de Freitas Filho, o “Mijão”, um dos chefes do PCC – leia mais aqui.
Além das duas prisões, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira.
Maurício Silveira Zambaldi e José Ricardo Ramos atuam nos setores de comércio de veículos e transporte. Um deles foi detido no bairro Cambuí, região central de Campinas, e o outro no condomínio Alphaville, na mesma cidade.
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Empresários são presos por envolvimento em plano do PCC para matar promotor em Campinas — Foto: Polícia Militar
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Infográfico – Empresários são presos por plano de matar promotor em Campinas (SP) — Foto: Arte/g1
‘Mijão’, chefe do PCC, articulou o plano, diz MP
Um dos principais articuladores do plano é Sérgio Luiz de Freitas Filho, o “Mijão”, um dos chefes do PCC que está entre os principais operadores do tráfico de drogas no país, segundo o MP.
Ele está foragido há anos e, segundo as investigações, pode estar escondido na Bolívia, de onde continuaria comandando atividades criminosas. As investigações continuam para localizar outros suspeitos.
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Ministério Público e Polícia Militar fazem operação contra empresários ligados ao PCC
O que diz a defesa dos suspeitos?
A defesa técnica de Maurício Silveira Zambaldi e I. J. F. F. informouq ue não obteve acesso aos autos da investigação e destacou que os investigados negam qualquer participação em plano que atente contra a integridade física de autoridades.
Veja a nota na íntegra:
A defesa técnica dos investigados Maurício Silveira Zambaldi e I. J. F. F., no âmbito da investigação denominada Operação Pronta Resposta, conduzida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, informa que:
- (i) A defesa ainda não obteve acesso amplo e irrestrito aos autos da investigação e aguarda que tal acesso seja concedido nas próximas horas.
- (ii) Neste momento, ambos os investigados negam veementemente qualquer participação em plano que atente contra a integridade física de
- autoridades. Qualquer ilação em sentido contrário carece de fundamento.
- (iii) A defesa técnica confia plenamente que a verdade dos fatos será devidamente estabelecida no curso da investigação.
- (iv) Os investigados permanecem à disposição das autoridades para colaborar com o esclarecimento dos fatos, sempre na busca da verdade real.
Já o advogado Pedro Said, que representa José Ricardo Ramos, destacou que acredita na inocência do empresário, disse que ele “jamais aceitaria participar de um plano dessa natureza” e afirma que “provará a inocência dele na Justiça”.
G1







