Autor do projeto aprovado na Câmara diz que espera manutenção do texto no Senado. Deputado nega acordo direto com família Bolsonaro, mas admite articulação com o Centrão para blindar proposta.
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Por Andréia Sadi
Apresentadora do Estúdio i, na GloboNews.
Relator do PL da Dosimetria na Câmara dos Deputados, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) afirmou que a proposta serve para “pacificar o país” da polarização política e que aposta na sanção do projeto pelo presidente Lula (PT).
O projeto foi aprovado pela Câmara na madrugada de terça para quarta-feira (10) e, agora, vai para análise do Senado — próximo passo antes de ir para sanção ou ser vetado por Lula. Veja ao fim da reportagem como votou cada partido.
“Temos que sair dessa polarização. O que atrapalha o país é essa polarização, é um querendo matar o outro, familiares brigando um com o outro. Isso tem que parar, temos que pensar no país. Por isso, o quanto antes a gente tirar isso da frente, virar essa página, exatamente o que o povo quer, que é a segurança pública, melhor para o país”, afirmou Paulinho.
Presidente do Solidariedade, o deputado defendeu a aprovação da proposta às vésperas do ano eleitoral e prevê que o texto seja mantido e aprovado no Senado. “Acho que essa pauta era prioridade, a gente limpa isso e vamos para frente, vamos discutir o país”, defendeu Paulinho.
Paulinho da Força detalhou que ainda é preciso fazer contas para determinar qual é a nova pena de Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses, com a aprovação da dosimetria. Pela antiga condenação, o ex-presidente deve cumprir 6 anos e 10 meses em regime fechado.
Segundo Paulinho, a decisão de juntar dois dos crimes pelos quais Bolsonaro foi condenado vai fazer com que a pena em regime fechado caia.
“[De] Seis anos e dez meses, passa a cumprir dois anos e quatro meses. Então, essa é a redução oficial que aconteceu”, disse o deputado.
Votação e aprovação na madrugada
A votação do PL da Dosimetria, que beneficia condenados pela trama golpista e participantes dos ataques de 8 de janeiro, aconteceu após decisão do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de colocar o tema para avaliação dos deputados.
A aprovação do projeto ocorreu já na madrugada de quarta-feira com 291 votos a favor e 148, contra — além de 1 abstenção. Outros 72 deputados estavam ausentes.

Câmara dos Deputados aprova texto-base do projeto de lei da ‘dosimetria’
Paulinho disse que não foi informado anteriormente de que o texto seria pautado. Soube, segundo ele, em uma reunião com líderes partidários da Casa, quando Motta o avisou que colocaria o projeto em plenário.
“Eu não sei o que aconteceu, eu só sei que ele [Hugo Motta, presidente da Câmara] chegou muito determinado para pôr em votação e foi isso que aconteceu”, disse Paulinho.
O deputado citou o fato de ter amizade com integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e que não recebeu objeções do ministro ao projeto, agora aprovado na Casa.
“Como eu não tive nenhuma sinalização ‘olha, o pessoal do Supremo não está concordando com isso’, então eu achei que está pacificado. Basicamente pela percepção de que a gente trabalhou esse tempo todo e não teve nenhuma reação de lá [Supremo]”, disse.
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Relator, Paulinho da Força dá entrevista após reunião com o PL — Foto: Humberto Sousa/ TV Globo
G1







