
Ex-presidente da Suprema Corte nepalesa, jurista Sushila Karki foi a escolhida para liderar o país, segundo o gabinete do presidente. Novas eleições foram marcadas para março de 2026.
A ex-presidente da Suprema Corte do Nepal, Sushila Karki, foi escolhida como premiê interina do país, anunciou o gabinete da presidência nepalesa nesta sexta-feira (12). Sua indicação ocorre após uma onda histórica de protestos violentos contra o governo, em que jovens atearam fogo a edifícios do governo e casas de ministros.
Ainda nesta sexta-feira, o presidente do Nepal dissolveu o Parlamento e anunciou novas eleições para março de 2026.
Karki, de 73 anos, substituirá K.P. Sharma Oli, que renunciou nesta semana por conta dos protestos. Ela é a única mulher a ter ocupado o cargo de presidente da Suprema Corte do Nepal.
Os protestos no Nepal começaram no início desta semana. Confrontos entre a polícia a manifestantes na capital, Catmandu, no primeiro dia de protestos, na segunda, expandiram a magnitude do movimento —a partir de terça, a população ateou fogo na sede do governo, no Parlamento, na Suprema Corte e em casas de ministros.
O estopim para as manifestações foi o bloqueio de redes sociais, como Facebook, Instagram, YouTube e X, pelo governo. Os protestos históricos são liderados pela Geração Z.
Segundo a polícia nepalesa, pelo menos 51 pessoas morreram durante os protestos e mais de 1.300 ficaram feridas desde segunda-feira.

Sobe o número de mortos nos protestos no Nepal
Segundo a TV estatal nepalesa, as manifestações são contra um bloqueio das redes sociais, como Facebook e Instagram, imposto na semana passada e por acusações de corrupção contra o governo. O slogan dos protestos: “Bloqueiem a corrupção, não as redes sociais”.
O governo justificou o bloqueio dizendo que as plataformas não colaboraram com a Justiça do país para combater usuários que, usando identidades falsas, estavam espalhando discurso de ódio e notícias falsas, cometendo fraudes e outros crimes.
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Nepal em chamas: quem são os manifestantes e qual a origem dos protestos no país
Ministra e marido agredidos após ter casa invadida
Os manifestantes chegaram a registrar em vídeo a invasão à casa de uma das autoridades do Nepal que foram vítimas de violência durante os protestos.
As imagens, gravadas com celular, mostram vários jovens vandalizando a residência da ministra das Relações Exteriores do país, Arzu Rana Deuba, e a atacando com ofensas e agressões.
Depois, o vídeo mostra o marido dela, Sher Bahadar Deuba, que é ex-primeiro ministro do Nepal, sendo carregado, com a camisa rasgada e o rosto ensanguentado.
A casa de outras autoridades também foi alvo nesta terça, como a do primeiro-ministro que renunciou, KP Sharma Oli, e outros antigos premiês
De acordo com o jornal “The New York Times”, os manifestantes colocaram fogo na casa de Jhala Nath Khanal com sua mulher, Ravi Laxmi Chitrakar, lá dentro. Ela teria sofrido queimaduras graves.
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Manifestantes colocam fogo no principal edifício administrativo do governo do Nepal, em Katmandu — Foto: Anup Ojha / AFP
🔥 Escalada da violência mesmo após renúncia
- Pressionado pela intensa revolta popular, o primeiro-ministro, KP Sharma Oli, renunciou ao cargo nesta terça-feira (9).
- Oli afirmou que a renúncia busca “dar novos passos em direção a uma solução política”.
- A decisão, no entanto, não foi suficiente para acalmar os ânimos e o Parlamento foi invadido e incendiado por manifestantes.
- Casas de autoridades do país, incluindo a do atual premiê, também foram atacadas e queimadas.
- Dois aeroportos foram danificados, assim como os hotéis Hilton e Varnabas.
- O aeroporto de Kathmandu, principal porta de entrada internacional do Nepal , foi fechado por causa da fumaça dos incêndios provocados pelos manifestantes .
- Civis foram fotografados portando rifles de assalto pelas ruas da capital.
- Ambulâncias e veículos de segurança foram atacados por manifestantes.
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Manifestantes invadem e incendeiam complexo do Parlamento do Nepal durante protesto generalizado contra o governo em Catmandu 9 de setembro de 2025. — Foto: REUTERS/Adnan Abidi
🚨 Medidas tomadas pelo governo
- O Exército do Nepal emitiu um comunicado afirmando que iria assumir a responsabilidade pela lei e pela ordem no país a partir das 22h do horário local – 13h de Brasília.
- Autoridades apelaram aos cidadãos para que parem com todos os atos de incêndio criminoso e saques.
- O Ministério da Saúde do Nepal incentivou a população a doar sangue em hospitais locais e no banco de sangue central do país.
- Um toque de recolher foi imposto em áreas estratégicas da capital, incluindo o gabinete do premiê e a casa do presidente, desde esta segunda-feira.
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Manifestantes comemoram com bandeira do Nepal após entrar em complexo do Parlamento nepalês durante protesto contra o governo em 9 de setembro de 2025. — Foto: REUTERS/Adnan Abidi
🏔️ Cenário político e socioeconômico do país
- O presidente do Nepal, Ram Chandra Paudel, aceitou a renúncia de Oli e já iniciou o processo para escolher um novo premiê, afirmou um oficial próximo a Paudel à agência de notícias Reuters.
- O Nepal vive sua pior crise em décadas desde o fim da monarquia em 2008, com instabilidade política e econômica.
- Os jovens nepaleses estão frustrados há anos com a falta de empregos, e milhões foram trabalhar no Oriente Médio, Coreia do Sul e Malásia, principalmente em canteiros de obras, de onde enviam dinheiro para casa.
Ministra das Relações Exteriores do Nepal recebendo chute forte nas costas de um manifestante — Foto: EYEPRESS via REUTERS
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