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Morre Nenê Guanabara, dono do restaurante do Crato que não tinha portas

Evando Moreira
Jornalista, fundador, editor, analista político.

Personagem amava a boemia e deixou legado cultural no município.

A história da boemia do Cariri teve um capítulo encerrado nesse domingo, 21 de junho, com o falecimento de Francisco Alves Feitosa, o Nenê Guanabara, dono do restaurante que ficou famoso por estar sempre aberto, literalmente.

Fundado em 1958, não havia portas no estabelecimento localizado no meio da quadra da Rua Monsenhor Esmeraldo entre a Senador Pompeu e a Tristão Gonçalves (Rua da Vala), no miolo do Crato. Por mais de 5 décadas, era o refúgio de quem saía à noite sem hora para voltar para casa.

“O PF [prato feito] de lá era uma Chapada [do Araripe]. Num dava nem para ver quem estava do outro lado“, exagera a artista Eveline Limaverde, cliente assídua. 

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No Guanabara, havia outros dois pratos entre os mais pedidos: o caldo de carne e o filé à parmegiana. Nesta época de festas, quem chegava ao restaurante de madrugada quase sempre encontrava todas as mesas ocupadas.

Mas era possível esperar conversando com o Seu Nenê, que, nos últimos anos, ficava sentado à porta, fazendo aquele bico que se tornou uma de suas características, sendo gentil com os clientes.

Ele amava a boemia. Passava a madrugada no Guanabara. Dormia durante a manhã, no período da tarde costumava ir ao banco, resolver algumas coisas, voltava para casa, dormia mais um pouco e, por volta das 22h, voltada para o Guanabara, onde passava toda madrugada, até 5h, 6h da manhã”, conta a filha caçula Eliza Feitosa.

Desde 2012, quando começou a sofrer os primeiros sintomas do Mal de Alzheimer, Nenê não trabalhava mais. O restaurante fechou durante a pandemia. Nos últimos 5 anos, aos cuidados da família, alimentava-se apenas por sonda. Morreu no hospital após passar mal em casa. Ele tinha 95 anos, deixa a esposa, dona Albanita Maia Feitosa, que tem 96, 6 filhos e 13 netos.

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor

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