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Ginásio do Colégio Marista é demolido para dar lugar a prédios residenciais no Centro de Fortaleza

Evando Moreira
Jornalista, fundador, editor, analista político.

Empreendimento deve ser entregue em 2029, segundo informou construtora.

Quem passa pelo cruzamento das ruas Clarindo de Queiroz e Jaime Benévolo, no Centro de Fortaleza, já não encontra mais o imponente e histórico ginásio do antigo Colégio Cearense do Sagrado Coração, popularmente conhecido como Colégio Marista. A estrutura foi demolida para dar lugar a um novo empreendimento residencial, o Parque Marista, da MRV, cuja entrega está prevista para 2029. O projeto terá três torres e 576 apartamentos no terreno.

A demolição ocorre em uma área que integra o complexo do antigo Colégio Marista Cearense, imóvel de relevância histórica e cultural para Fortaleza e protegido por tombamento, onde hoje funciona uma faculdade privada. A intervenção, portanto, está submetida às regras de proteção patrimonial que definem quais estruturas do conjunto são preservadas e quais podem sofrer alterações.

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O Parque Marista representa também a retomada de lançamentos residenciais no coração do Centro de Fortaleza. Segundo levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), trata-se do primeiro lançamento residencial nessa área desde 2008.

Empreendimento terá 576 apartamentos

Demolição de ginásio chama atenção de quem passa na região do Centro.

Legenda: Demolição de ginásio chama atenção de quem passa na região do Centro.

Foto: Kid Jr/SVM.

Responsável pelo projeto, a MRV informa que o Parque Marista terá três torres residenciais. Serão 12 apartamentos por andar, totalizando 576 unidades.

Segundo a empresa, o empreendimento faz parte da estratégia de ampliar a presença em regiões centrais e consolidadas das grandes capitais brasileiras, acompanhando um movimento de reocupação e adensamento dessas áreas.

Conforme a MRV, a localização permite aos futuros moradores acesso a uma região com infraestrutura, comércio, serviços, transporte e oportunidades de trabalho já consolidados. A proposta é aproximar a moradia desses equipamentos e reduzir a necessidade de grandes deslocamentos pela cidade.

A construtora também destaca que os projetos são desenvolvidos considerando as características de cada território, com soluções voltadas à comodidade, conveniência, lazer e convivência.

Ginásio fazia parte do complexo do Marista

Alunos na entrada do Colégio Cearense Sagrado Coração, como era chamado quando foi fundado em 1913.

Legenda: Alunos na entrada do Colégio Cearense Sagrado Coração, como era chamado quando foi fundado em 1913.

Foto: Arquivo Nirez.

Embora o ginásio tenha sido demolido, a intervenção ocorre dentro da área que envolve o conjunto histórico do antigo Colégio Marista, cujo tombamento estabelece diferentes níveis de proteção para as edificações.

O antigo Colégio Cearense do Sagrado Coração foi fundado em 1913 e passou posteriormente à administração dos Irmãos Maristas. O prédio se tornou um dos marcos da educação particular em Fortaleza e acumulou ao longo das décadas diferentes edificações e ampliações.

O tombamento protege o conjunto histórico e estabelece regras para intervenções no imóvel e no entorno. A proteção patrimonial não significa, porém, que todas as estruturas construídas posteriormente tenham necessariamente o mesmo grau de preservação.

Colégio Marista formou gerações da elite intelectual, política e cultural do Ceará.

Legenda: Colégio Marista formou gerações da elite intelectual, política e cultural do Ceará.

Foto: Fabiane de Paula

O ginásio demolido era uma construção posterior ao núcleo histórico do complexo. A estrutura esportiva foi erguida décadas depois da construção original do colégio e não corresponde ao edifício histórico principal protegido pelo tombamento.

Ex-alunos pediram tombamento

Matéria veiculada em outubro de 2013 no Diário do Nordeste.

Legenda: Matéria veiculada em outubro de 2013 no Diário do Nordeste.

Foto: Cedoc SVM.

A discussão sobre a preservação do antigo Marista ganhou força ainda antes do tombamento definitivo.

Em 2013, ex-alunos do colégio chegaram a organizar um movimento para pedir a proteção do prédio histórico, em meio às discussões sobre o futuro do imóvel após o encerramento das atividades educacionais.

Anos depois, o conjunto recebeu proteção por tombamento, consolidando o reconhecimento de seu valor histórico e arquitetônico.

DIÁRIO DO NORDESTE

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