
Campanha de Flávio tentou alianças com outros partidos, mas após lideranças do Republicanos, União e PP anunciarem neutralidade, acabou com chapa ‘puro-sangue’, formada por dois políticos do PL.
Candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta quarta-feira (5) que o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) será o candidato a vice-presidente na chapa dele nas eleições deste ano.
Gaspar é ex-promotor de Justiça, foi procurador-geral de Justiça e secretário de Segurança Pública do estado.
Eleito para a Câmara em 2022, ganhou projeção nacional como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
No discurso que anunciou Gaspar na chapa, Flávio destacou a atuação do deputado federal na segurança pública e a ligação dele com o berço eleitoral, Alagoas, e os demais estados do Nordeste.
“É uma pessoa que eu aprendi a admirar, todos vocês aqui aprenderam a admirar pela coragem, honestidade, pela sua história em frente à segurança pública. Alguém que já foi promotor de Justiça, chefe de Ministério Público do seu estado”, disse Flávio.
Ele prosseguiu: “Alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPMI do INSS. Alguém que pediu a prisão do Lulinha porque tinha culpa no cartório. E alguém que representa o Nordeste de fato”.
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Flávio Bolsonaro anuncia Alfredo Gaspar como vice. — Foto: Reprodução/ Youtube
Em sua fala, Gaspar agradeceu a Flávio pela confiança e se comprometeu com o projeto de governo. “Vossa Excelência escolheu uma pessoa simples, nordestina, mas com uma história de vida de muito trabalho”, disse.
“E estar aqui, de cabeça erguida, para dizer que ao seu lado marcharei para a gente transformar esse Brasil num local justo e decente”.
Ele também citou o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Me permita, presidente, dizer que eu sinto uma falta grande hoje de duas pessoas: do meu pai, que está no céu, e do seu pai, que está em cativeiro”, afirmou.
CPMI do INSS
Após meses com a relatoria da Comissão Mista de Inquérito (CPMI) que investigou suspeitas de fraudes em descontos de aposentados e pensiositas do INSS, Alfredo Gaspar entregou um relatório que propôs o indiciamento de mais de 200 pessoas.
Entre elas, parlamentares, ex-ministros, dirigentes estatais e entidades associativas, além do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”.
O relatório acabou rejeitado por 19 votos a 12 e a CPMI foi concluída sem um texto final.
🔎Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é alvo de três inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre suspeitas levantadas pela PF. As apurações são ligadas à atuação de um grupo de pessoas que teria mantido supostos negócios ilícitos em áreas do governo federal. O caso não envolve diretamente as fraudes no INSS.
Presença feminina
O evento contou com a presença de mulheres que chegaram a ser ventiladas como possibilidades para integrantes da chapa, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, filiada ao Republicanos.
Pensando em atrair mais votos entre as mulheres — 52,8% do eleitorado —, a campanha de Flávio Bolsonaro passou as últimas semanas em busca de uma mulher para compor a chapa. No entanto, após o anúncio de neutralidade dos respectivos partidos, elas acabaram barradas.
Porém, no evento desta quarta, fizeram breves pronunciamentos em defesa da candidatura de Flávio.
Tereza Cristina agradeceu o convite para ser vice, mas disse que não pode aceitar por questões partidárias. Daniella Marques, por sua vez, falou da importância do desenvolvimento de políticas voltadas para a defesa das mulheres.
Segundo ela, a escolha de um homem como vice não afasta o eleitorado feminino.
“A mulher não vota só porque é mulher, ela vota em valores. Ela vai avaliar os valores do Alfredo Gaspar […] Ele é de uma área que o Brasil acha hoje que é a principal, que é a Segurança, um promotor de Justiça. Mas não vejo isso como fator preponderante. Eu nem sei se eu sendo a vice eu traria as mulheres”, afirmou a líder do PP no Senado.
No seu discurso, Flávio ressaltou que Michelle Bolsonaro (PL) “vai vencer” a disputa para o Senado, para representar o Distrito Federal.
Michelle não compareceu no evento de anúncio do nome de Gaspar, assim como não participou da convenção que oficializou a candidatura de Flávio.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) justificou a ausência de Michelle dizendo que ela está “cuidando” de Jair Bolsonaro, que segue em prisão domiciliar.
De acordo com a senadora, a relação entre Michelle e Flávio está “boa”. Segundo a parlamentar, um vice homem não inviabiliza ministras mulheres e políticas públicas para as mulheres num eventual futuro governo.
Neutralidade dos partidos
A definição da chapa de Flávio Bolsonaro ocorreu após semanas de negociações do partido para tentar ampliar o arco de alianças no campo da centro-direita.
Uma das possibilidades discutidas nos bastidores era que a vaga de vice fosse ocupada por um nome indicado por legendas como o Republicanos ou pela federação União Brasil-PP, como forma de formalizar o apoio dessas siglas à candidatura presidencial.
Diante desse cenário, o PL optou por uma chapa pura e escolheu o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a candidatura ao lado de Flávio Bolsonaro.
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O relator da CPI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). — Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
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