Cadeia produtiva da Economia Azul reúne-se hoje para debater como explorar de modo sustentável seus recursos marinhos, do peixe ao petróleo, do atum à energia eólica
Hoje, segunda-feira, 9, e amanhã, a Casa da Indústria, sede da Fiec, será o palco da Ocean Summit 2026, evento que reunirá toda a cadeia produtiva da Economia Azul, ou Economia do Mar, que diz respeito às atividades econômicas que extraem e exploram as riquezas dos oceanos, desde o peixe ao petróleo, do atum à energia eólica.
O evento é promovido pelo Observatório da Indústria, braço tecnológico da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), e pelo IEL, também integrante do Sistema Fiec.
Logo na abertura do Ocean Summit 2026, falará o empresário e cientista belga Gunter Pauli, criador da expressão Economia Azul, para quem é do mar e de suas profundidades que estão por vir os novos medicamentos, a química e até mesmo as novas formas de construção para a sociedade do futuro.
No dia 11 de novembro do ano passado, Pauli, falando aos integrantes de uma Missão Empresarial da Fiec que foi a Portugal para ver e ouvir sobre a Economia Azul, disse com outras palavras:
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”Quem quiser ficar rico, muito rico, deve investir na produção e no beneficiamento industrial de algas marinhas. O Brasil, com mais de 8 mil quilômetros de costa, tem tudo para produzir em larga escala essas algas e seus valiosíssimos subprodutos. As algas são tão valiosas quanto o petróleo, com uma vantagem: integram a Economia Azul, ou seja, são uma atividade 100% sustentável e mil vezes lucrativa.”
No Ocean Summit 2026, empresários, executivos de empresas, pesquisadores, professores e alunos universitários serão o público-alvo do evento, que terá, também, na sua programação, reuniões de negócios, juntando investidores e donos de empresas dedicadas às atividades que dizem respeito à exploração sustentável do mar.
No Ceará, a Economia Azul emprega mais de 4 mil pessoas, contingente que poderia ser bem maior se houvesse orientação produtiva embasada, segundo uma anotação de 2021 do Observatório da Indústria, que acrescenta:
“O setor pesqueiro, por exemplo, apresenta carência de uma maior inserção tecnológica, fazendo, atualmente, o uso extensivo de processos manuais tanto no processo de beneficiamento quanto no de extração. Adicionalmente, os pescadores, muitas vezes por falta de capacitação, não conseguem enquadrar-se nas normas sanitárias e de sustentabilidade dos órgãos nacionais e internacionais, e o setor, de forma geral, não possui informações estruturadas e de qualidade que possibilitem o acompanhamento e o planejamento estratégico de ações.”
De 2021 até aqui, os cearenses, liderados pela Fiec, avançaram na direção da Economia Azul, ou seja, iniciando a exploração sustentável dos 600 quilômetros do litoral do estado, investindo em vários setores, principalmente no turismo e na captura e beneficiamento de pescados, boa parte dos quais é exportada.
Está em curso na Fiec, desenvolvido pelo Observatório da Indústria, um programa de incentivo e apoio à Economia Azul, que tem os seguintes objetivos específicos: 1) Incorporar automação de processos na cadeia produtiva pesqueira; 2) Induzir a transformação digital nas empresas de aquicultura; 3) estruturar bases de dados sobre as potencialidades do setor; 4) promover eventos sobre a importância da Economia do Mar e suas potencialidades; 5) adequar embarcações pesqueiras a legislações vigentes; 6) promover ações que possibilitem a certificação internacional da atividade de pesca no estado do Ceará.
Estudo global feito no ano 2020 pela consultoria PwC e citado pelo Observatório da Indústria, diz que entre 2017 e 2018, quase todas as atividades ligadas à economia do mar analisadas apresentaram crescimento. O levantamento indicou que a movimentação anual de contêineres foi a que mais se destacou no período, avançando 26,77% no índice utilizado pela PwC, passando de 106,8 para 135,4 pontos. Ainda apresentaram variações significativas a extração de gás natural (17,65%), a produção de camarão, ostras, vieiras e mexilhões (10,14%), a movimentação anual de navios (9,29%) e a produção anual de aquicultura (8,86%).
A atividade pesqueira no Ceará, conforme o estudo, expande-se, abrindo diversas possibilidades de atuação e comercialização, inclusive em âmbito internacional. No entanto, diversos desafios consequentes do processo de globalização devem ser superados, o que pode ser alcançado pela implementação de tecnologias para o aperfeiçoamento dos processos produtivos e organizacionais aliados a um modelo de gestão do conhecimento são ações necessárias para transpor tais barreiras.
Por tudo o que acima está dito, valerá a pena participar do Ocean Summit, que começará hoje às 8 horas na Fiec.
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