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Corregedor diz que investigado em desvios de R$ 15 milhões no TRT-RJ dizia ganhar ‘fortuna em apostas’

Evando Moreira
Jornalista, fundador, editor, analista político.

A Polícia Federal deflagrou, na quinta-feira (11), a Operação Apócrifo, que apura desvios de R$ 15 milhões na Justiça do Trabalho do RJ. Durante sessão, o corregedor Alvaro Luiz Carvalho Moreira detalhou parte da investigação, antecipada pelo g1 em setembro.

O corregedor do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ), desembargador Alvaro Luiz Carvalho Moreira, revelou durante sessão do Órgão Especial detalhes das investigações sobre desvios de R$ 15 milhões e afirmou que um dos investigados alegava ganhos em apostas para justificar o patrimônio.

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As declarações foram dadas na quinta-feira (11), mesmo dia em que a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Apócrifo, que apura fraudes na Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro. A investigação — relacionada à expedição irregular de alvarás judiciais na 2ª Vara do Trabalho de Nova Iguaçu — havia sido antecipada pelo g1 em setembro.

O então diretor de secretaria, Vidal Nobre de Azevedo, é apontado como responsável pelo esquema. Segundo as apurações, ele utilizava o token — uma espécie de senha — do juiz titular da Vara, Francisco Antônio de Abreu Magalhães, para emitir alvarás irregulares e desviar valores de ações trabalhistas para terceiros sem vínculo com os processos, tudo sem o conhecimento do magistrado.

PF investiga desvio de dinheiro de processos trabalhistas do TRT no RJ

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Conforme o corregedor, Azevedo justificava o padrão de vida acima do compatível com seu salário alegando ganhos expressivos em apostas — algo que, segundo ele, era de conhecimento do juiz.

“O próprio juiz Francisco, que se mostrou muito colaborativo no início, informa que era voz corrente na Vara que o diretor tinha gastos muito elevados. Viajava com a família para o exterior e dizia que ganhava fortuna em apostas”, afirmou Moreira.

Durante a sessão, os desembargadores do Órgão Especial aprovaram a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar em Face de Magistrado (Padmag) para apurar eventual responsabilidade do juiz. Seu afastamento foi mantido até o fim do procedimento.

O g1 procurou Azevedo, que não respondeu. O juiz Magalhães afirmou ter colaborado com a investigação e fornecido todas as informações necessárias à Corregedoria e à presidência do TRT-RJ “a fim de que fossem adotadas todas as medidas legais cabíveis contra o servidor desonesto”.

PF não conseguiu rastrear valores desviados, diz corregedor

Moreira informou aos desembargadores que Azevedo assumiu a responsabilidade pelos desvios. Em mensagem enviada a colegas de trabalho via WhatsApp — revelada pelo g1 em setembro — o ex-diretor disse ter isentado outras pessoas da participação no esquema. Segundo ele, tanto o juiz quanto sua assistente, também afastada, “não sabiam do que estava acontecendo”.

O corregedor destacou, porém, que Azevedo afirmou não possuir mais qualquer parte da quantia desviada — cerca de R$ 15 milhões entre 2022 e 2025, segundo a PF.

“O servidor confessou que é culpado e isentou os demais. Mas diz que não tem mais dinheiro, que gastou tudo. [Ele disse:] ‘sou viciado em jogo, o dinheiro acabou’”, relatou Moreira.

Apesar disso, o desembargador afirmou que a PF indicou ser possível rastrear ao menos parte dos valores. Até agora, os bloqueios judiciais localizaram apenas quantias baixas.

Cessão de senhas era prática comum no TRT-RJ

Moreira também afirmou que a cessão de senhas e tokens por magistrados a assistentes ou diretores era prática comum no tribunal.

“É de ciência da Corregedoria que essa era uma prática muito utilizada pelos juízes”, disse. Ele alertou os demais magistrados para que deixem de adotar esse procedimento.

No caso de Nova Iguaçu, o corregedor classificou a conduta do juiz como negligente e apontou que a omissão teve consequências graves.

“Tenho, na semana que vem, uma reunião com uma comissão de advogados de Nova Iguaçu que quer saber como vai receber esses R$ 15 milhões. Quem vai pagar? Então, essa inocência ou boa-fé está mais próxima da negligência do juiz, que foi absolutamente omisso na administração da Vara”, afirmou.

PF cumpre mandado na Operação Apócrifo — Foto: Divulgação/PF

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G1

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