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Chuvas alagam casas e deixam famílias indígenas desabrigadas em comunidade de Caucaia, na Grande Fortaleza

Evando Moreira
Jornalista, fundador, editor, analista político.

Moradores relatam perdas de móveis, presença de animais peçonhentos e riscos à saúde após enchente.

A comunidade indígena Tapeba, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, foi atingida por fortes chuvas no início desta semana. Cerca de 150 famílias tiveram as casas invadidas pela água e perderam móveis e objetos pessoais. O grupo realizou um protesto nesta segunda-feira (20), na BR-222, para pedir uma solução ao governo.

Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos, só em abril choveu 224,8 milímetros na cidade. Moradores relatam que, além dos prejuízos materiais, animais peçonhentos apareceram nas casas, aumentando o risco para crianças e idosos.

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“Eu me acordei com pessoas entrando dentro da minha casa, pedindo para eu me acordar e atrepar as coisas, porque estava vindo muita água. Realmente, quando eu olhei, a água entrou de uma vez, aí as pessoas que vieram aqui me ajudaram a atrepar a geladeira”, relata Maria Leandro.

“Chega aqui na cintura da gente a água dentro de casa. A gente fica sem nada, eu perdi tudo, as crianças ficam doentes, as cobras ficam andando dentro de casa. Todo mundo aqui quer que as pessoas tirem a gente daqui, dê um lar para a gente melhor. A gente não tem nada, porque a gente constrói e perde num piscar de olhos”, conta a dona de casa Antônia Lima.

Famílias perderam móveis e objetos pessoais. — Foto: Reprodução/TV Verdes Mares

Famílias perderam móveis e objetos pessoais. — Foto: Reprodução/TV Verdes Mares

A comunidade indígena aguarda o cumprimento de um acordo firmado há 10 anos com o Governo do Ceará, que visa retirar os moradores do local de risco e levá-los para outro espaço:

“Aqui nós temos em torno de 150 famílias que foram atingidas pela enchente e estão com muita dificuldade para fazer a sua alimentação. O pouco que tinha a maré levou, porque eles foram surpreendidos com a casa cheia de água. A escola é um ponto de apoio, está aberta para receber as famílias que estão sem condição de adentrar suas residências”, explica Verônica Tapeba, liderança indígena.

O que dizem as autoridades

Em nota, o Governo do Ceará disse que agendou para esta quarta-feira (22) uma reunião com lideranças do povo Tapeba, que vivem às margens do Rio Ceará, na Comunidade da Ponte. O governo estadual destacou que um grupo de trabalho mantém reuniões regulares para avançar no projeto.

A iniciativa é fruto de um acordo firmado há 10 anos, em 2016, que prevê ações contínuas de cooperação entre o Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace), a Secretaria dos Povos Indígenas do Ceará (Sepin) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Segundo o Estado, a etapa de demarcação física do território já foi concluída.

Apesar dos avanços na esfera estadual, os indígenas relatam a falta de um posicionamento da Funai quanto à situação emergencial atual. A comunidade informou que aguarda um retorno do órgão.

Famílias saíram de casa após chuvas. — Foto: Reprodução/TV Verdes Mares

Famílias saíram de casa após chuvas. — Foto: Reprodução/TV Verdes Mares

G1 CE

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