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Celso Fonseca, o colecionador de amigos

Evando Moreira
Jornalista, fundador, editor, analista político.

Jornalista, que morreu aos 61 aos, trabalhou como editor-chefe do R7 por uma década

Celso Fonseca, em participação no programa ‘Roda Viva’, em 1993 Reprodução/Facebook

A notícia da morte não chegou num interurbano por longas espirais metálicas, como na poesia do Vinicius, mas pelo inevitável zap.

— Fala, Meleiro, que boas-novas me traz?

— Nada de bom, coisa ruim: Celsinho morreu.

Celso Luís de Moura Fonseca. Aos 61 anos.

Passei a noite tentando dormir. De manhã, chuva fraca, passo os olhos na coluna do Ruy Castro:

“E o dramaturgo Oscar Wilde dizia de seu colega George Bernard Shaw: ‘Shaw não tem um inimigo no mundo. Em compensação, nenhum de seus amigos gosta dele’.”

O contrário do Celso. Nunca conheci quem não gostasse do Fonsa. Bom humor indestrutível. Sorriso espontâneo de filho único criado com carinho e afeição por dois professores, Maria Lúcia e Celso Fonseca Junior, escritor, poeta e aviador.

Nunca entendi direito, mas pai e mãe só chamavam Celsinho de “amigo”. Todo amigo do “amigo” era chamado de “filho” na casa da avenida Guilherme de Almeida, na Vila Liberdade, em Jundiaí.

Eu era vizinho, morava na Lupe Cotrin, e Fonseca era meu amigo e amigo dos meus irmãos e de mais umas dezenas de moleques das vilas Liberdade e Rio Branco.

O colegial (agora ensino médio) eu fiz no Colégio Técnico de Jundiaí; ele, no Ana Paes, onde encontrou os dois que encabeçam a lista de melhores amigos jundiaienses, Maurício Meleiro (publicitário) e Carlos Einar Segura y Grioles (arquiteto).

Nosso primeiro emprego foi no Jundiaí Hoje, diário que sucedeu o Jornal de Segunda e tinha redação na Prudente de Moraes, ao lado do antigo chafariz. Trabalhamos juntos ainda no Jornal da CidadeJornal de Jundiaí e Jornal da Tarde.

Meu primeiro dia de repórter foi 25 de janeiro de 1982. Tinha 17 anos. Fonseca, 18. Eu havia sido aprovado na Cásper Líbero. As aulas começariam em fevereiro, março, mas, a convite do grande Ademir Fernandes, entrei numa redação antes de pisar na sala de aula da faculdade de jornalismo. Fonseca estava na redação, batucando em sua Olivetti.

O time do Jundiaí Hoje tinha, além do genial Ademir Fernandes, Sandro Vaia, Sérgio Rondino, Carlos Roberto Motta, Kazuo Inoue, Paulo Batista, Décio Viotto, Dagoberto Azzoni (meu irmão), Jamilson Tonolli, Adilson Freddo e outros que minha memória sequelada não fornecerá.

Ah, na fotografia, Ari Vicentini, de carreira brilhante em redações e professor da Cásper. O Google está aí para dimensionar a importância desses nomes…

Eu e Fonsa estudamos juntos na Cásper. Somos da turma de 1984. Íamos de Jundiaí para a avenida Paulista de ônibus (Viação Cometa, claro) e metrô. Descíamos na estação Paraíso. Na época, vários casarões da época do café estavam sendo derrubados na Paulista. Fonseca sempre cantarolava Caetano, antecipando sua vocação para a crítica musical.

“Da força da grana que ergue e destrói coisas belas…”

Trabalhamos juntos também — e fizemos greve juntos também — no Jornal da Cidade. Na redação em Jundiaí, Sidney Mazzoni, Milton Leite e Arlete Salvador. (Google, de novo).

Em São Paulo, metade dos anos 1980, trabalhamos no saudoso Jornal da Tarde. Fonseca já no jornalismo cultural. A editoria de Variedades produzia o caderno Divirta-se.

E, espalhados pelas mesas do sexto andar do prédio do Estadão, esbarrava-se com Pedro França Pinto (editor), Paulo Batista (sub), Edison Paes de Melo Filho (chefe de reportagem), Edmar Pereira (crítico de cinema), Olney Krüse (artes plásticas), Kazuo Inoue, Sérgio Roveri (dramaturgo e outro grande nome do ramo jundiaiense de amigos), Alberto Guzik (teatro), Leão Lobo, Regina Ricca, Mario Serapicos, Lu Gomes e Luiz Chagas (depois mais conhecido como pai da Tulipa Ruiz e sempre amigo de Celsinho). Rubens Ewald Filho escrevia sobre TV, mas não ia à redação.

Fonseca seguiu carreira em IstoÉ, Terra, revista Brasileiros e R7, onde reencontrou dois amigos de faculdade, Celso Teixeira e Cosme Rímoli.

Recentemente, participou de uma festa da turma de 84 da Cásper, grupo formado por André Porto Alegre, Maura Campanili, Ana Maria Morau, Beatriz Trezzi Vieira, Dante Grecco, Fabio Pannunzio, Renata Falzoni, Henrique Stroeter, Juca Rodrigues, Patrícia Pousa, Silvia Lenzi…

Encurtei essa relação demais da conta, mas não tem jeito: a lista de amigos e pessoas que gostavam de Celso Luís de Moura Fonseca parece não ter fim. E a saudade já começa a apertar.

*Denilson Azzoni é jornalista

R7

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