
Policial foi capturado em flagrante pela Guarda Municipal e levado à delegacia. Entretanto, a Polícia Civil não lavrou o auto de prisão em flagrante e liberou o suspeito.
O capitão da reserva remunerada da Polícia Militar do Ceará, Francisco Wellington Alves de Lima, flagrado na noite da última sexta-feira (6) agredindo e asfixiando uma mulher na Praça da Bandeira, em Fortaleza, foi levado para a Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e liberado na mesma noite sem ter a prisão em flagrante lavrada, conforme apuração do g1.
A agressão do agente foi flagrada pelos operadores do Centro de Comando e Controle da Prefeitura de Fortaleza, por meio do sistema de videomonitoramento da praça. Nas imagens, o policial apareceu desferindo tapas contra a vítima, derrubando-a no chão e chutando a cabeça dela. Em seguida, ele se deitou sobre a mulher na tentativa de sufocá-la.
Equipes da Guarda Municipal de Fortaleza que estavam nas proximidades foram até a praça. Ao avistar os agentes, Francisco Wellington tentou fugir, mas foi capturado e detido pelos guardas. Pouco depois, uma equipe da Polícia Militar chegou ao local e acompanhou a Guarda até a delegacia para levar o suspeito.
A Guarda Municipal divulgou, na manhã desta terça-feira (10), que realizou a prisão em flagrante do policial militar. Entretanto, ao chegar na Delegacia de Defesa da Mulher, Francisco Wellington foi ouvido pela autoridade policial e liberado na mesma noite, sem ter a prisão em flagrante lavrada. Conforme a legislação, a violência contra mulher é um crime inafiançável.
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Capitão da Polícia Militar do Ceará preso em Fortaleza agrediu mulher, com tapas, socos e chutes na cabeça, além de tentar sufocar a vítima. — Foto: Guarda Municipal de Fortaleza/ Divulgação
Por meio de nota, a Polícia Civil disse que o PM da reserva foi levado para a delegacia, mas a mulher não. Ela também não foi identificada naquela noite, o que seria necessário para caracterizar o vínculo entre os dois que justificaria o flagrante por violência doméstica.
“No contexto da violência doméstica e familiar contra a mulher, a identificação da vítima é indispensável para a correta caracterização do vínculo entre as partes, elemento necessário para a análise jurídica dos fatos”, disse a corporação.
A Polícia Civil também afirmou que, posteriormente, a vítima foi identificada pelos investigadores e que “foi instaurado inquérito policial por meio de portaria” para apurar o crime de lesão corporal em desfavor de Wellington. A corporação não informou se o inquérito foi instaurado no dia do crime ou posteriormente, após a repercussão do caso.
O g1 também procurou o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) para entender se houve algum informe oficial de prisão contra o PM da reserva, mas o Órgão informou que, “até o momento, não foi protocolado nas unidades judiciárias do Estado qualquer auto de prisão em flagrante relacionado a Francisco Wellington Alves de Lima”.
Em nota, a Polícia Militar confirmou que participou da condução do PM e disse que “não compactua com desvios de condutas por parte de seus integrantes e repudia toda ação que vá de encontro aos valores e deveres da Corporação”.
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Agressão cometida por policial foi flagrada pelos operadores do Centro de Comando e Controle de Fortaleza que acionaram a Guarda Municipal. — Foto: Guarda Municipal de Fortaleza/ Divulgação
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