O Estado contabiliza ganhos com a fruta há pouco mais de três anos, conseguindo se consolidar na serra.
Em 2024, o território cearense produziu 609 toneladas de açaí. Ao todo, 15 estados produzem o fruto. O Ceará é o nono maior produtor nacional e o terceiro de seis estados do Nordeste que produzem a fruta, correspondente a apenas 0,03% da produção nacional.
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O Pará continua como o maior produtor de açaí do Brasil de forma disparada, com mais de 1,61 milhão de toneladas produzidas em 2024. Isso representa 92,55% de produção nacional, que foi de 1,74 milhão de toneladas.
A Região Norte do Brasil é a única na qual todos os estados produzem açaí, com 99,4% da produção nacional vindo das sete unidades federativas, totalizando 1,73 milhão de toneladas.
Abastecer o mercado interno, mas de olho nas exportações
Ana Paula Silva reforça que a região da Ibiapaba, com temperatura mais amena do que áreas mais baixas do sertão do Ceará, tem um clima propício para o cultivo do açaí, tanto que a prosperidade dos hectares dela fizeram com que ela mais do que triplicasse o espaço dedicado para plantar o fruto.
“Plantei mais dez hectares neste ano. Daqui a quatro anos, vou estar produzindo mais açaí ainda, e queremos fazer novos produtos para gerar mais valor agregado”.Ana Paula Silva
Agricultora e empresária de açaí
“Muitos produtores me procuram interessados em mudas de açaí. É um fruto que demora um pouco para dar retorno, mas tem um valor agregado bom. É uma produção que produz por mais ou menos 25 anos e dá muitos frutos”, pontua.
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Com menos de dois anos como empresária do ramo de açaí, Ana Paula já estuda expandir a marca. Em uma feira de frutas na Espanha, a agricultora conseguiu exportar as polpas das frutas – e também o açaí liofilizado, que é a fruta desidratada em pó.
“Tem um ano e meio que venho estudando sobre a internacionalização do produto e conseguimos realizar a primeira exportação de polpa de fruta e açaí (para a Europa)”, comemora.
Ramificar a cadeia produtiva no Ceará e nos estados vizinhos
Alberto Félix celebra a expansão da cadeia produtiva do açaí no Ceará, mas acredita que é preciso expandir para além da Grande Fortaleza, da Serra da Ibiapaba e do Vale do Jaguaribe.
“A ideia é comercializar mudas em todo o Ceará: Serra da Ibiapaba, Apodi e Cariri, para atender não só o Ceará, como os estados vizinhos”, projeta.
O diretor da Agropar evidencia que a Serra da Ibiapaba tem vantagem competitiva em relação aos outros cultivos agrícolas cearenses, em especial de frutas, como morango e maracujá, para dividir espaço com o açaí.
“Temos a vantagem (na Serra da Ibiapaba) de já ser uma área produtiva do Ceará, e podemos aproveitar o açaí para fazer o consórcio com os outras culturas que já existem. Vamos aproveitar a mesma água e potencializar o que já tem na região”, avalia.
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Para o secretário-executivo do agronegócio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), Sílvio Carlos Ribeiro, o açaí está inserido em um contexto de demanda crescente por frutas, legumes e verduras (FLV) produzidos no Estado, alavancando a cadeia produtiva agrícola cearense.
“São atividades agrícolas que têm a necessidade de comercializar rapidamente, mas são culturas muito demandadas, tanto pela Grande Fortaleza quanto pelo Piauí. Isso facilita muito o escoamento da produção. Praticamente metade do FLV consumido no Ceará vem de fora, e precisamos cada vez mais desses produtos. Acreditamos não só nas culturas já produzidas aqui, como em novas culturas, como mirtilo, avocado e açaí”, define.
O repórter viajou a convite do Coalizão Agro Ibiapaba.
DIÁRIO DO NORDESTE








