Candidato do Missão à Presidência da República participou de entrevista de g1 e GloboNews, conduzida pelas jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery.

O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, afirmou em entrevista ao g1 e à GloboNews nesta quarta-feira (5) que, se eleito, descumpriria decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerasse ilegais. Como um exemplo, citou decisões monocráticas, aquelas que são tomadas por um único ministro do Supremo.
Renan afirmou ainda que, caso vença as eleições, vai trabalhar para compor com parlamentares do centrão, a quem chamou de “parasitas”.
Um exemplo de projeto do candidato que exigiria negociação com o centrão é a PEC Fiscal, um pacote de ajustes para reduzir os gastos públicos. Na entrevista, Renan reconheceu que aceitaria fatiar a PEC para facilitar a tramitação dela no Congresso.
As jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery conduziram a entrevista diretamente dos novos estúdios da GloboNews, no Rio de Janeiro.
Confira temas abordados na entrevista com Renan:
- ‘Eu não vou cumprir uma decisão monocrática’: ao falar sobre a relação que terá com o STF, se for eleito, Renan Santos afirmou que não vai cumprir decisão monocrática — tomada por um único ministro — que considerar ilegal.
- PEC Fiscal: Renan defendeu medidas para reduzir gastos públicos, como desvinculação de receitas de saúde e educação e desindexação de benefícios atrelados ao salário mínimo.
- Diálogo com o Centrão: Renan diz que, se eleito, dialogará com parlamentares para aprovar projetos, apesar de manter críticas, chamando-os de “parasitas”.
- ‘Prendeu, matou’: o candidato explicou uma de suas falas ditas na convenção do partido Missão e disse que a fala foi um recado político de intenção de enfrentar de maneira “dura” o crime e que a interpretação é “confusa”.
- Inspiração em Bukele: após já ter declarado admiração pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, Renan foi questionado sobre o modelo de segurança pública implementado por ele e negou que pretenda reproduzir no Brasil medidas como prisões sem mandado judicial, julgamentos coletivos ou detenções baseadas apenas em denúncias anônimas.
- Combate ao feminicídio: Renan reconheceu que não tem plano próprio sobre mulheres e disse que o homem que comete o feminicídio “é o mesmo homem que fala que tem que matar os bandidos”.
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Natuza Nery, Andréia Sadi e Renan Santos (Missão) — Foto: Globo/ João Cotta
Renan Santos iniciou uma série de entrevistas com os presidenciáveis. O presidente Lula (PT) foi sorteado como primeiro entrevistado, na terça-feira (4), mas informou que não compareceria. Quinta-feira (6) será a vez de Romeu Zema (Novo) e na sexta-feira (7) a de Ronaldo Caiado (PSD). Está prevista para segunda-feira (10) a entrevista com Flávio Bolsonaro (PL), que ainda não confirmou presença.
Após a exibição no g1 e na GloboNews, o conteúdo completo ficará disponível em vídeo no g1 e em áudio no podcast O Assunto.
Veja os destaques da sabatina de Renan Santos:
‘Decisão ilegal do STF não se cumpre’
Renan Santos afirmou que, se for presidente da República, poderá deixar de cumprir decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) caso as considere ilegais. Segundo ele, decisões monocráticas que extrapolem as competências da Corte não devem ser obedecidas de imediato.

Renan Santos (Missão) responde sobre relação com o STF
“Se o Supremo Tribunal Federal tomar uma decisão ilegal, decisão ilegal não se cumpre. Ponto”, afirmou.
“Aí vem uma DPE, alguém entra lá no STF, a Rede Sustentabilidade entra, aí vem decisão: ‘Ah não pode por não sei o quê’. Vai vir uma decisão monocrática. Eu não vou cumprir uma decisão monocrática.”
Renan disse que não cumpriria decisão que entendesse invadir atribuições do Legislativo ou do Executivo. “Eu serei um presidente, não um boneco.”
O candidato afirmou que buscaria discutir o tema com a Corte antes de cumprir a determinação. “Lógico que eu vou discutir junto ao STF. Eu não vou cumprir imediatamente uma decisão que é ilegal. Eu não vou cumprir. É errado isso. Eu tenho que cumprir meu papel de presidente”, disse.
Questionado se ele quem decidiria o que é ilegal ou não, Renan respondeu: “Não. A Constituição diz. Se eu cumprir o devido processo legal numa medida, ela passou no Congresso Nacional, eu cumpri todos os ritos, não pode vir uma decisão monocrática para o estrito cumprimento da lei. Até porque eu estaria prevaricando.”
PEC fiscal
Renan Santos afirmou que o Brasil vive um “drama fiscal” e defendeu a adoção de medidas para reduzir o ritmo de crescimento das despesas públicas. Entre as propostas citadas, está a desvinculação de recursos destinados à saúde e à educação, além da desindexação de benefícios atrelados ao salário mínimo, como aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Renan Santos (Missão) responde sobre PEC fiscal
O candidato foi questionado sobre a PEC Fiscal, que o deputado Kim Kataguiri (Missão), aliado dele, tenta articular no Congresso. Renan disse que aceitaria, se eleito, fatiar as propostas da PEC e que negociaria o apoio dos partidos do Centrão para conseguir aprovar essa proposta. Ainda assim, chamou os parlamentares de “parasitas”.
Segundo Renan, a atual estrutura de gastos obrigatórios pressiona as contas públicas e dificulta a queda dos juros.
“Essa impressão, somada ao drama fiscal que a gente vem passando, precisa ser respondida agora”, disse.
Na avaliação dele, esse cenário acaba corroendo o poder de compra da população, já que os ganhos nominais são compensados pela perda causada pela inflação. “Você dá com uma mão para o aposentado ou para o beneficiário e tira com a outra”, afirmou.
Sobre a negociação com o Centrão, o candidato disse:
“Eu vou ter que conversar. Eu vou ter que negociar e compor com membros deste Parlamento. Eu sou um democrata, eu vou ter que compor. O que eu não farei são negociações não republicanas.”
Um exemplo de uso para o dinheiro economizado com o corte de gastos obrigatórios seria para investir em presídios.
“A redução [desses gastos] vai virar superávit, e eu vou resolver questões orçamentárias com esse superávit. Tudo que for corte de gasto vira aumento de investimento. Investimento em presídio é um gasto que o Estado vai ter”, afirmou.
Diálogo com o Centrão ‘parasita’
Questionado sobre as propostas dele que dependeriam de aprovação do Congresso, caso ele seja eleito presidente, e o posicionamento que adota contra o sistema político e o Centrão, Renan Santos afirmou que irá dialogar com o Congresso e buscar uma composição.

‘Eleitor brasileiro vai eleger pelo menos 300 parasitas e vagabundos’, diz Renan Santos
“Eu aceito a alcunha do antissistema no sentido de que eu não participo do grande jogo e seus vícios, mas eu entendo o funcionamento da fábrica de salsichas que é o Congresso Nacional”, afirmou, ao relembrar que organizou manifestações de rua pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Renan afirma que vai haver o momento de diálogo e repetiu o uso do termo “parasitas” para designar o Centrão e os parlamentares.
“Assim como existe o momento de eu ser o Renan militante do MBL, existe o momento de eu ser o Renan presidente no partido Missão e existe o momento também dos candidatos, dos partidos adversários, apontarem os problemas e o momento de eles sentarem na mesa para poder discutir projetos”, afirmou.
Emendas parlamentares e metas para prefeitos
Renan Santos disse que, se eleito presidente da República, manterá a distribuição de emendas parlamentares, mas mudará os critérios para liberação dos recursos. Renan havia dito na véspera que usaria as emendas a favor dele e reduziria despesas obrigatórias para abrir espaço no Orçamento.
Durante a entrevista, ele negou que pretenda cortar recursos mínimos destinados à saúde e à educação e disse que a redução de gastos ocorreria por meio da revisão de renúncias fiscais, do corte de supersalários e da desindexação de algumas despesas.
O candidato disse que as emendas passariam a estar vinculadas a políticas públicas e indicadores de desempenho. Pela proposta, prefeitos que apresentarem melhores resultados em áreas como segurança, educação, saneamento e combate à violência contra a mulher receberiam mais recursos.
Renan afirmou que as emendas parlamentares se tornaram um dos principais instrumentos de articulação política do Congresso. “As emendas parlamentares hoje se tornaram parte central, é o óleo que move a engrenagem do Centrão”, disse.
A proposta dele é utilizar as emendas como um instrumento de governabilidade, sem extingui-las.
‘Prendeu, matou’
O candidato explicou uma de suas falas ditas na convenção do partido Missão, realizada em 1º de agosto, que repercutiu na imprensa: o slogan “prendeu, matou” como estratégia de política de segurança pública.

Renan Santos (Missão) responde sobre segurança pública
“O que eu estou avisando é o approach. A resposta que a Presidência da República tem que dar é o bandido ser tratado como bandido e o cidadão como cidadão”, respondeu. Para Renan, a fala foi um recado político de intenção de enfrentar de maneira “dura” o crime.
Ao ser questionado se a política do estado seria matar e como isso afetaria a atuação policial, disse que essa interpretação é “confusa”, e que parece meio “óbvio” que as pessoas não interpretariam o slogan “dessa maneira”.
“Hoje a regra ‘prendeu, soltou’, a provocação do ‘prendeu, matou’ é: você tem que ter dois caminhos. o prendeu, o matou, não tem outro caminho.”
Inspiração em Bukele
Questionado sobre o modelo de segurança pública implementado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, Renan Santos afirmou que admira a “capacidade de ação e resolução do Estado”, mas negou que pretenda reproduzir no Brasil medidas como prisões sem mandado judicial, julgamentos coletivos ou detenções baseadas apenas em denúncias anônimas.

Renan Santos (Missão) responde sobre estado de defesa
Segundo o candidato, as políticas adotadas em El Salvador respondem a uma realidade diferente da brasileira e não poderiam ser simplesmente transplantadas para cá. Renan disse que pretende atuar dentro dos limites da Constituição e defendeu que o enfrentamento ao crime organizado leve em conta as características de facções como o PCC.
“A vontade de agir para resolver esses problemas tem que ser a mesma”, afirmou.
Durante a entrevista, Renan foi questionado ponto a ponto sobre medidas adotadas pelo governo Bukele. Ele respondeu que não defende prisões sem mandado nem o aumento do tempo de prisão sem ordem judicial, por considerar que a Constituição exige autorização da Justiça. Também afirmou que não apoia julgamentos coletivos e disse que o enquadramento de integrantes de facções deve ser precedido de investigação.
Sobre habeas corpus, porém, defendeu restringir o benefício para condenados por crimes hediondos.
“Eu não sou o Bukele, eu sou brasileiro. Meu nome é Renan Santos. Eu não sou neto de palestinos. Eu tenho outra família, eu nasci na Mooca. Eu moro no Brasil”, disse.
Atos de 8 de janeiro e candidato a vice
Renan Santos foi questionado sobre o fato de o candidato a vice dele, o tenente-coronel reformado Aroldo Medina, ter visitado acampamentos em frente aos quartéis das Forças Armadas antes da tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.
Respondendo sobre qual mensagem a escolha de Medina passaria sobre defesa da democracia, Renan disse que o vice se arrependeu.
“É um homem que se arrependeu do 8 de janeiro, inclusive ele acha que foi golpe de estado”.
De acordo com Renan, Medina foi aos acampamentos antes do atentado. “Ele era bolsonarista, entendeu o que estava errado, fez seu mea culpa”.
Para o candidato, a formação da chapa abre espaço para o diálogo com pessoas com mais de 60 anos.
“É uma porta aberta para outras pessoas da geração dele, especialmente pessoas 60+ que acreditavam naqueles sites de notícias esquisitas, canais de YouTube que defendiam que a urna tinha sido fraudada. Ele é a porta de saída para essas pessoas”.
Estado de defesa
Ao tratar de combate ao crime organizado, Renan Santos afirma que pretende usar o estado de defesa em localidades específicas para retomar territórios ocupados por criminosos. A promessa é de tomar a medida nos dois primeiros meses de um eventual governo.

Renan Santos (Missão) responde sobre estado de defesa
“O decreto de estado de defesa é para você fazer operações, e nessas operações você ter os instrumentos de estado para buscar os bandidos”, diz, apontando que seu eventual governo não vai “sair prendendo moradores aleatórios”.
🔎 O Estado de Defesa é decretado para preservar ou restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social. Ele pode determinar restrições aos direitos de reunião, sigilo de correspondência e de comunicação. Existem alguns tipos de situações específicas em que o instrumento pode ser utilizado, como em regiões ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza.
“Esses são os instrumentos excepcionais para vencer a guerra contra eles [criminosos]. Eu quero viver em um país de normalidade. Eu quero fazer o que for meramente necessário para recuperar os territórios”, afirma o candidato.
Combate ao feminicídio
Questionado sobre que propostas tem para combate ao feminicídio, Renan Santos disse que a principal forma de combate é por meio de políticas públicas municipais e estaduais, com trabalho de polícias e guardas civis. O plano de governo do candidato não trata do assunto.

Renan Santos (Missão) responde sobre feminicídio
O candidato disse que a referência dele sobre o assunto são o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).
Renan disse que há uma naturalização da violência contra a mulher, o que leva a um aumento de crimes não reportados. “O homem que comete o feminicídio, a violência contra a mulher, ele é o mesmo homem que fala que tem que matar os bandidos. Ele não se vê como alguém que está cometendo um crime e, às vezes, a mulher, na ânsia de manter o núcleo familiar dela vivo, não reporta. Então você tem um número gigantesco de casos não reportados”, afirmou.
‘Autoridade masculina’
Questionado sobre um vídeo exibido durante a entrevista, em que diz ser machista, Renan afirmou que defende o restabelecimento da “boa autoridade masculina” na criação de filhos.
Segundo o candidato, jovens que crescem sem a presença do pai têm maior probabilidade de apresentar pior desempenho escolar, cometer crimes e reproduzir ciclos de pobreza. Renan afirmou que esse fenômeno está relacionado, sobretudo, ao abandono paterno e à falta de responsabilidade afetiva e financeira dos homens.
“A questão central é: se você não restabelece esse tipo de postura, próxima de uma autoridade masculina que estabeleça limites e sirva de exemplo, a tendência desse rapaz não é apenas cometer crimes, mas ter uma vida mais disfuncional”, afirmou.
Durante a entrevista, as entrevistadoras questionaram se esse raciocínio não culpabilizaria mulheres que criam os filhos sozinhas. Renan respondeu que não e disse que apenas citava “dados estatísticos” sobre famílias monoparentais. “A maior parte dos casos de rapazes que cometem crimes vem de famílias em que o pai não está presente. Isso é estatístico. Isso é um dado”, afirmou.
O candidato também voltou a dizer que a declaração em que se definiu como “machista” foi uma provocação. “O que é o machismo? Vamos restabelecer a boa autoridade masculina”, disse. “Talvez eu não seja o melhor comunicador do mundo. Só que eu estou falando uma verdade, porque eu quero resolver problemas de verdade.”
Piada sobre estupro
Renan Santos afirmou que se arrepende de um vídeo gravado em 2017, que voltou a circular em 2021, no qual faz uma piada envolvendo estupro. Segundo o candidato, a gravação foi tirada de contexto e fazia parte de uma encenação entre amigos durante uma festa.
No vídeo, Renan aparece sorrindo ao falar para um grupo de amigos que, se eles não conseguissem entrar em um estabelecimento, estuprariam uma colega que estava com eles.
“A gente estava numa festa, a gente tava simulando que eu era um rei, era uma brincadeira”, disse. Renan classificou o comentário sobre estupro como “uma piada muito ruim”.
O candidato foi questionado ainda sobre uma acusação de estupro registrada contra ele em 2021. Renan foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), mas acabou absolvido por falta de provas. Na entrevista desta quarta-feira, Renan voltou a negar o crime e afirmou que a denúncia foi falsa.
“Os parentes dela [da mulher que o denunciou] não gostavam de mim. Ela saiu escondida, porque era o período da pandemia e havia todas essas restrições para sair. Ela não sabia como explicar, a família convenceu ela a me dar um corretivo, e aí ela fez uma falsa acusação contra mim”, disse.
Direita jovem e masculina
Renan Santos foi questionado sobre a porção de gênero entre filiados do partido Missão em 2026: mais de 90% são homens e menos de 10% são mulheres. Segundo ele, isso acontece porque a direita jovem costuma ser “mais masculina”, enquanto a esquerda jovem tende a ser mais “feminina”.

Renan Santos (Missão) responde sobre participação feminina
De acordo com o candidato, a diferença tem relação com a idade dos eleitores com os quais ele mais dialoga.
“Meu grupo é jovem. Quando eu vou pegando, por exemplo, a distribuição de mulheres mais velhas e homens mais velhos que nos apoiam, já é mais econômico”.
Renan avalia que esse cenário dificulta sua elegibilidade. “É óbvio que eu não fico feliz com isso, porque eleitoralmente é ruim para a gente.”
Na opinião do candidato, potenciais candidatas e apoiadoras ficam “inibidas” por conta de reações adversas e ataques por parte da esquerda nas redes sociais.
Promessa de acabar com favelas
Ao tratar da proposta dele para desfavelização nas cidades, Renan Santos afirma que “países sérios não têm favelas” e que vai combater a existência da ‘anomalia urbanística’, como chamou este tipo de moradias, caso eleito presidente.

Renan Santos (Missão) responde sobre desfavelização
“Culturalmente, o Brasil adotou outro caminho, que é o de aceitar a favela como elemento da própria personalidade. ‘Ah, favela faz parte da nossa cultura’. Eu não acho que isso deva ser aceitado, e é um enfrentamento que tem que ser urbanístico, estrutural e cultural também”, diz.
O candidato afirma que as pessoas não serão retiradas dos lugares em que vivem para que sejam construídos empreendimentos imobiliários nestes locais. Ele defende o que chamou de leilão reverso para levar investimento privado às regiões de favelas.
Segundo Renan, a proposta pretende transformar as favelas em bairros ao levar vias de acesso, arborização, equipamento urbano e conexão com transporte público.
“O que é uma política de desfavelização? Primeiro, é atestar que viver em uma favela é indigno”, afirma. “Resolver a favela é você resolver múltiplos problemas ao mesmo tempo, dentro de uma chaga que é urbana”, diz.
As pessoas, segundo ele, terão títulos de propriedade das casas após essa transformação em bairro.
“Uma pessoa que vive hoje em uma favela não é titular de direitos, tem taxas de tuberculose maior, taxa de gravidez na adolescência maior e a presença endêmica do crime organizado”.
‘Código Unificado da Imprensa’
O candidato afirmou que pretende criar um Código Unificado da Imprensa caso seja eleito presidente da República. Ele negou que a medida tenha como objetivo controlar ou censurar veículos de comunicação e disse que a iniciativa busca disciplinar o uso de recursos públicos por páginas que, segundo ele, se apresentam como veículos jornalísticos.
Ao ser questionado sobre a diferença entre a proposta e a tentativa do governo Lula de criar mecanismos de controle da imprensa, Renan afirmou ser favorável à liberdade de imprensa.
Para o candidato, o problema atual é a existência de páginas de redes sociais e de fofoca que recebem dinheiro público, mas se apresentam como veículos de imprensa.
O candidato afirmou que essas páginas são financiadas por verbas públicas, incluindo contratos de publicidade e recursos provenientes de emendas parlamentares, sem transparência. Na avaliação dele, esse modelo prejudica o jornalismo profissional e enfraquece a fiscalização sobre prefeitos e outras autoridades locais.
Questionado se um código para disciplinar a imprensa não poderia ser usado por futuros governos para restringir a atividade jornalística, Renan respondeu que eventuais regras dependeriam de aprovação do Congresso e negou que o presidente da República definiria quais veículos são legítimos.
“O jornalismo sério está quebrando, e a página de fofoca comprada pelo prefeito está bombando”, afirmou. Segundo o candidato, “páginas de fofoca compradas por políticos com dinheiro público” representam “um dos maiores problemas da democracia brasileira”.
Entrevistas g1 e GloboNews
A entrevista de Renan Santos faz parte de uma série realizada com os candidatos ao Palácio do Planalto. Foram convidados os cinco primeiros colocados na pesquisa Datafolha mais recente, divulgada no dia 24 de julho.
Um sorteio realizado no dia 27 de julho, com a participação de representantes das campanhas, definiu a seguinte ordem:
- terça-feira (4): Lula (PT) – a assessoria do presidente informou que ele não compareceria.
- quarta-feira (5): Renan Santos (Missão) – confirmou presença.
- quinta-feira (6): Romeu Zema (Novo) – confirmou presença.
- sexta-feira (7): Ronaldo Caiado (PSD) – confirmou presença.
- segunda-feira (10): Flávio Bolsonaro (PL) – ainda não confirmou presença.
Quem é Renan Santos
Renan Santos tem 42 anos, é ativista político e empresário. Natural da cidade de São Paulo, ele estudou direito na Universidade de São Paulo (USP), sem concluir o curso. Esta é a sua primeira eleição e estreia na carreira como candidato à Presidência e levará pela primeira vez às urnas o partido Missão, sigla criada em 2025.
Renan lidera o Movimento Brasil Livre, grupo que ajudou a fundar em 2014 ao lado do deputado federal Kim Kataguiri e outros ativistas. O movimento virou um partido político e tem como origem a organização e a participação de protestos que pediam o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, em 2015 e 2016.
O candidato se inspira em Nayib Bukele, presidente de El Salvador, com um discurso de guerra ao crime organizado. No evento de lançamento de sua candidatura, defendeu “matar quem roubar” e colocou a segurança pública e o combate ao crime organizado como temas centrais de sua candidatura.
Outras propostas defendidas por Renan Santos são a fusão de municípios e a redução de poderes do Supremo Tribunal Federal (STF).
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