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Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo preso com fuzil, deve deixar a prisão no Rio neste sábado após decisão de Moraes

Evando Moreira
Jornalista, fundador, editor, analista político.

Canella é pré-candidato ao Senado pelo União Brasil. Ex-prefeito terá que usar tornozeleira eletrônica e entregar o passaporte.

O ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella deve deixar a prisão no Rio de Janeiro neste sábado (11) depois de uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A soltura foi determinada na noite desta sexta (10) e a Secretaria de Polícia Penal (Seppen) informou que está organizando os trâmites para a saída dele.

Canella foi preso em flagrante há quatro dias com um fuzil durante uma operação da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro. Ele estava no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira em Gericinó, conhecido como Bangu 8. O político sairá com a tornozeleira eletrônica já instalada.

Junto com ele, será liberado um policial militar que também havia sido preso na ocorrência.

Canella é pré-candidato ao Senado pelo União Brasil e foi preso na terça-feira (7), quando agentes encontraram um fuzil calibre .556 dentro do veículo dele durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne.

Segundo Canella, a arma pertencia ao policial militar responsável por sua segurança. Na decisão, Moraes afirmou que essa alegação ainda precisa ser esclarecida no curso das investigações.

Apesar da soltura, o ministro impôs medidas cautelares ao ex-prefeito. Canella terá que usar tornozeleira eletrônica, entregar o passaporte, terá o porte de arma suspenso e poderá responder ao processo em liberdade.

Canella era inicialmente alvo de um mandado de busca e apreensão nesta etapa da Unha e Carne, que mira uma rede de postos de combustíveis no Grande Rio que movimentou R$ 7,6 bilhões em um suposto esquema de lavagem de dinheiro, com anuência de políticos.

Quem é Canella

Márcio Canella — Foto: Reprodução redes sociais

Márcio Canella — Foto: Reprodução redes sociais

Márcio Canella foi eleito vereador de Belford Roxo em 2012. Em 2015, se elegeu deputado estadual em 2015 e por 3 mandatos ficou na Alerj.

Nesse período, Canella se licenciou para ser vice do prefeito Waguinho, de Belford Roxo, de 2017 a 2019.

Os antigos aliados se afastaram depois das eleições presidenciais de 2022. À época, Canella apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e Waguinho optou por Lula.

Em 2024, Canella foi eleito prefeito de Belford Roxo. O principal adversário dele era o ex-secretário municipal Matheus do Waguinho (Republicanos), sobrinho de Waguinho.

No início de abril de 2026, Canella renunciou ao cargo de prefeito para concorrer ao Senado. Ele é apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo deputado estadual Douglas Ruas. No lugar dele, assumiu a então vice-prefeita Mariana Malta.

A operação

PF deflagra a 6ª fase da Operação Unha e Carne

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Agentes saíram para cumprir, no total, 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de NiteróiSão GonçaloItaboraí e Resende, além da capital fluminense.

Na casa de um dos alvos, em Niterói, a PF apreendeu armas, joias e dinheiro, além de carros de luxo.

A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.

As investigações começaram com um relatório de inteligência enviado à PF pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento apontou que o grupo movimentou R$ 7,6 bilhões nos últimos 6 anos.

“Além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações”, disse a PF.

A ação se insere no contexto da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ, a ADPF das Favelas, que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre relações de agentes públicos com facções criminosas.

G1

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