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Além do TikTok: o que se sabe sobre o novo data center de R$ 350 bilhões do Ceará?

Evando Moreira
Jornalista, fundador, editor, analista político.

Segundo empreendimento de hiperescala na região do Pecém deve empregar 15 mil trabalhadores na fase de obra.

segundo mega data center do Ceará deve ser anunciado em breve na região do Porto do Pecém, com investimento de R$ 350 bilhões.

Uma fonte familiarizada com o assunto, sob anonimato, afirmou à reportagem que a empresa envolvida no novo projeto é a Tecto Data Centers. A empresa, contudo, não confirma.

Formalmente, os detalhes são guardados por cláusulas de confidencialidade entre as partes. A expectativa é de que o anúncio da construção aconteça nas próximas semanas. As obras devem ser iniciadas entre o final de 2026 e o começo de 2027.

De acordo com informações obtidas pelo Diário do Nordeste junto a fontes envolvidas na negociação, trata-se de um empreendimento de hiperescala, assim como o centro de dados da ByteDancedona do TikTok, que está em construção.

Diário do Nordeste

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No total, 15 mil empregos na fase de obra devem ser gerados, e outros 400 durante a operação do data center. 

Para efeitos comparativos, o investimento no novo data center da Tecto no Ceará supera em mais de 50% o valor nominal do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, de R$ 232,2 bilhões em 2023, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Tecto tem três data centers em Fortaleza

A Tecto é o braço de data centers da V.tal, reconhecida por atuar com rede neutra de fibra óptica, ampliando a conectividade nacional e internacional, em especial no Hub Tecnológico de Dados, com os cabos submarinos ancorados na Praia do Futuro.

Ao lado de Barranquilla, na Colômbia, Fortaleza é a cidade com mais data centers da Tecto, três no total. Eles são nomeados de Lobster (TFOR1), Big Lobster (TFOR2) e Mega Lobster (TFOR3) — maior centro de processamento de dados do Nordeste.

Em entrevista ao Diário do Nordeste em março deste ano, o diretor de receita da Tecto, Tito Costa, anunciou que a empresa antecipou a expansão do Mega Lobster e estudava a criação de um quarto data center no Estado

A região do Pecém já era analisada pela empresa à época da abertura do Mega Lobster com a possibilidade do desenvolvimento de um hub de data center na ZPE.

ZPE do Pecém deve receber equipamento

Uma área na Zona de Processamento de Exportação (ZPE), no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), será responsável por abrigar o futuro data center.

O empreendimento ficará perto do centro de dados da ByteDance, cuja previsão de início das operações está fixada para o terceiro trimestre de 2027.

Ainda de acordo com informações obtidas pela reportagem, estão previstos outros cinco data centers de hiperescala para a região da ZPE do Pecém. Desse total, três têm pré-contrato assinado. 

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A reportagem procurou a ZPE Ceará em busca de informações para confirmar os investimentos da Tecto no espaço da empresa.

O órgão declarou que “devido aos acordos de confidencialidade e sigilo industrial envolvidos, não vai se pronunciar, ao menos neste momento, acerca do tema”.

Diário do Nordeste também perguntou à Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) se ela acompanha os projetos de data centers no Estado e tem um detalhamento sobre eles, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. Em caso de retorno, este texto será atualizado. 

Investimentos em data center no Pecém se aproximam de R$ 1 trilhão

A ByteDance foi a primeira a investir em data centers na região da ZPE, com cifras que giram em torno de R$ 200 bilhões. Já a Tecto deve investir R$ 350 bilhões.

Somados, os dois investimentos em data centers de hiperescala no Pecém são de aproximadamente R$ 550 bilhões.

Para o especialista em telecomunicações e presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, o data center da Tecto no Pecém consolida o Ceará como “polo de data centers” e desenvolve a infraestrutura iniciada com os cabos submarinos.

O data center Mega Lobster, da Tecto, tem 20MW de potência total e será ampliado em módulos.

Legenda: O data center Mega Lobster, da Tecto, tem 20MW de potência total e será ampliado em módulos.

Foto: Divulgação/Tecto.

“Isso abre oportunidades de emprego no ecossistema que se forma ao redor dos data centers, contribuindo para o desenvolvimento do Estado. Outros estados do Nordeste estão tentando atrair os equipamentos, mas o fato de Fortaleza ser um hub de cabos submarinos acaba sendo mais atrativo para os investidores”, explica.

Tude acrescenta ainda que a tendência é de que “outras grandes empresas de tecnologia venham também para o Estado”. Segundo ele, a situação é benéfica e equipara o Ceará a São Paulo, reconhecido como o maior polo de data centers do Brasil.

DIÁRIO DO N ORDESTE

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