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Apagão elétrico em Cuba neste sábado deve atingir recorde

Evando Moreira
Jornalista, fundador, editor, analista político.

Ilha sofre com frequentes avarias em suas obsoletas centrais termoelétricas, além de outros problemas

Cuba terá apagões durante todo este sábado (31) que deixarão, de forma simultânea, até 63% do país sem energia elétrica no período de maior demanda, o que representa a maior taxa registrada até o momento.

Trata-se do segundo recorde documentado em janeiro, já que há dez dias a previsão era de 62% da ilha sem fornecimento. Da mesma forma, implica a taxa mais elevada desde 2022, quando os dados oficiais sobre apagões começaram a ser divulgados.

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Cuba sofre uma grave crise energética desde meados de 2024 devido às frequentes avarias em suas obsoletas centrais termoelétricas e à falta de divisas para importar o combustível para sua infraestrutura de produção de energia, somando-se a isso as pressões dos Estados Unidos.

Após a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, Washington pressionou para cortar o fornecimento de petróleo bruto do país venezuelano à ilha. Além disso, os americanos anunciaram, na última quinta-feira (29), tarifas a países que vendam ou forneçam petróleo à ilha, ao decretá-la como uma “ameaça” à segurança nacional dos EUA.

DÉFICIT ELEVADO
Nesse contexto, a empresa estatal Unión Eléctrica (UNE) prevê para o horário de maior demanda deste sábado (no final da tarde e à noite) uma capacidade de geração de 1.160 megawatts (MW) para uma demanda máxima de 3.040 MW.

O déficit – a diferença entre oferta e demanda – será de 1.880 MW e a afetação estimada – o que será desconectado realmente para evitar apagões desordenados – atingirá 1.910 MW. Atualmente, oito das 16 unidades de produção termoelétrica operativas estão fora de serviço por avarias ou manutenções. Esta fonte de energia representa, em média, cerca de 40% da matriz energética em Cuba.

O relatório da UNE deixou de especificar a quantidade de centrais de geração distribuída (motores) não operativas por falta de combustível (diesel e óleo combustível) e lubrificante, um dado fundamental para entender o efeito do fim do petróleo venezuelano para Cuba. No entanto, pelas demais cifras publicadas, tudo indica que o número de motores parados está subindo nos últimos dias até atingir recordes.

Especialistas independentes indicam que a crise energética em Cuba responde a um subfinanciamento crônico deste setor, completamente nas mãos do Estado desde o triunfo da revolução em 1959. Os prolongados apagões diários prejudicam a economia, que contraiu mais de 15% desde 2020, segundo dados oficiais. Além disso, têm sido o estopim dos principais protestos dos últimos anos.

*EFE/PLENO NEWS

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