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Olé, olé, olé. Erro imperdoável de Digne, marcação perfeita e show de troca de bola. Espanha não dá chance à galáctica França. E está na final da Copa

Evando Moreira
Jornalista, fundador, editor, analista político.

Vitória por 2 a 0 leva os espanhóis de novo à final da Copa, depois de 16 anos. A segunda, na sua história. O segredo do jogo foi quando Luis de la Fuente ganhou as intermediárias. Rodri teve uma atuação impecável. De nada adiantaram Mbappé, Dembélé, Olise e Doué. Como na Eurocopa e na Liga das Nações, a França não conseguiu se impor contra a Espanha

Olé, olé, olé, olé…

O estádio AT&T, em Dallas, nos Estados Unidos, parecia um pedaço de Barcelona, de Madrid.

O jogo coletivo da Espanha não deu a menor chance para os galácticos da França.

Repetiu o que fez na Eurocopa e na Copa das Nações, transformando os franceses em fregueses.

Em uma semifinal vencida sem risco, com controle total sobre o jogo. Rodri teve atuação soberba, dominando a intermediária.

De nada adiantou o talento incrível de Mbappé, Dembélé, Olise e Doué.

A partida foi vencida no meio-campo, no controle do jogo.

No confronto entre o talento e a estratégia, Luis de la Fuente foi muito superior a Deschamps.

E com gols de Oyazarbal e Porro, os espanhóis venceram por 2 a 0 e chegaram à segunda decisão de Copa do Mundo de sua história. Esperam pelo vencedor de Argentina e Inglaterra, que duelam amanhã.

Lamine Yamal em lance com Lucas Digne que derivou pênalti
Lamine Yamal em lance com Lucas Digne que derivou pênaltiMaria Lysaker/Reuters – 14.07.2026

Os mais afoitos e simplistas declararam que hoje haveria o duelo entre Mbappé e Lamine Yamal.

Mas o que decidiu esta importantíssima semifinal de Copa do Mundo foi fora de campo.

As decisões de Luis de la Fuente e de Didier Deschamps determinaram o confronto de altíssimo nível em Dallas.

Deschamps, que se despede da França neste Mundial, acreditou em amplitude, na velocidade, no talento individual dos seus jogadores, que fizeram até hoje uma campanha firme, marcante, que os transformava em favoritos.

Abriu mão da posse de bola, buscando os contragolpes agudos, letais, puxados por Mbappé, disposto a ser melhor do mundo, Dembélé e Olisé.

Esse trio estava sendo devastador.

Até hoje.

Mikel Oyarzabal, autor do gol de pênalti, e Dayot UpamecanoLee Smith/Reuters – 14.07.2026

Porque Luis de la Fuente tratou de montar um exército versátil, de extrema consciência, toque de bola e preenchimento dos espaços.

Simplesmente dilacerou as artérias francesas do meio para o ataque.

A Espanha controlou o jogo.

Como se fosse uma cruel tourada.

Com a marcação servindo como capa.

E a troca de bola rápida, inversão dos atacantes, desnorteando os zagueiros franceses, a temida espada.

A marcação foi irritando, principalmente Mbappé e Olisé, que se tornaram, de forma inacreditável, improdutivos.

Se Yamal fosse um pouco menos egoísta, a Espanha teria até mais chances de gol do que as várias que teve.

A tensão já dominava os franceses.

E aos 19 minutos veio uma falha imperdoável para a semifinal de Copa do Mundo.

Inaceitável, na verdade.

O lateral esquerdo Digne, do Aston Villa, tentou afastar e errou. Ao tentar chutar a bola para longe, não percebeu o ágil Yamal chegando por trás. E o pontapé foi só no espanhol.

Pênalti bizarro, vergonhoso.

Oyarzabal não deu chance para o excelente goleiro Maignan.

1 a 0, Espanha.

O gol descontrolou ainda mais os nervos dos franceses.

Deschamps mandou seu time adiantar as linhas, buscar pressionar os espanhóis. Sair da defesa.

Só que Rodri e Fabián Ruiz trataram de travar os avanços individuais. O espírito de solidariedade do time espanhol, como um todo, foi algo que deveria encher de inveja Carlo Ancelotti e sua Seleção Brasileira.

O goleiro Unai Simón não passou de um mero espectador do clássico europeu. Não fez qualquer defesa importante durante todo o primeiro tempo.

O jogo foi totalmente controlado pela Espanha.

No segundo tempo, Deschamps adiantou de vez seu time.

Luis de la Fuente fechou a equipe na intermediária, não à frente da zaga, para não ser encurralada.

A França se ressentia de jogadas pelas laterais.

Insistia de maneira precipitada, pelo meio, facilitando à Espanha travar seus ataques.

Mbappé foi ficando visivelmente mais irritado, sem paciência, sem visão tática, o que só animava cada vez mais seus marcadores.

Aliás, Cucurella mostrou por que é o melhor lateral esquerdo do planeta e comprado a peso de ouro pelo Real Madrid. Ele não perdeu um duelo, uma bola dividida.

Diante da afobação da França, a Espanha deu a estocada final.

Porro tabelou com Olmo.

O lateral direito não foi acompanhado.

E fulminou para o fundo das redes de Maignan.

2 a 0, aos 12 minutos.

O jogo estava acabado.

Era evidente que Luis de la Fuente iria fechar seu time.

E foi assim que aconteceu.

Os espanhóis engarrafaram as intermediárias.

O jogo estava encaminhando para o final, faltando 33 minutos.

Estava evidente que de nada adiantava tanto talento francês; não resolveria, diante do encaixe da marcação espanhola.

Foi assim até o apito final.

“Nós vencemos pela genialidade e pela solidariedade da nossa equipe. Temos jogadores geniais que abriram mão do espetáculo para fazer o time chegar à decisão da Copa.

“Estou muito orgulhoso dos meus atletas”, dizia, emocionado, Luis de la Fuente.

E ele tem toda a razão.

A Seleção Espanhola está com méritos na final.

E orgulhando quem acreditou que este time é muito mais que Yamal.

É uma equipe, em que prevalece o coletivo.

Ao contrário da derrotada França…

R7

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