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Laminadora da ArcelorMittal pode atrair indústrias e amadurecer siderurgia cearense

Evando Moreira
Jornalista, fundador, editor, analista político.

Instalação de linha de produção para bobinas de aço laminadas a quente tem investimento previsto de R$ 35 milhões.

A produção de uma nova linha pela ArcelorMittal em sua planta no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) pode impulsionar a competitividade da indústria cearense e atrair novos mercados, segundo análise de fontes especializadas. 

A ArcelorMittal anunciou, na última sexta-feira (3), que aprovou o início do projeto estratégico para instalar uma nova linha de produção de bobinas de aço laminadas a quente, com investimento previsto de R$ 35 milhões

O projeto está na fase de engenharia e aprovação interna, sem prazo divulgado para avançar para a fase de instalação. A nova linha fortalece a indústria cearense, com maior valor agregado, segundo a companhia.

A unidade do Pecém é dedicada integralmente à produção de placas de aço. O novo investimento permite a produção de bobinas de aço laminado, com manutenção da capacidade nominal de produção de 3 milhões de toneladas de aço por ano.

Diário do Nordeste

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A nova produção pode atrair novos investimentos industriais ao Ceará, especialmente fabricantes que usam o laminado como insumo, avalia Cesár Barros, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Estado do Ceará (SIMEC).

“A planta traz maior agregação de valor à produção da usina do Pecém, que hoje fabrica apenas placas de aço (produto semiacabado). Há um fortalecimento da indústria local, permitindo que empresas cearenses tenham acesso a uma matéria-prima produzida no próprio Estado”, comenta.

O especialista explica que as bobinas laminadas são um insumo essencial para diversos setores, como indústria automobilística, construção civil, fabricação de tubos, implementos agrícolas e indústria naval. 

INDÚSTRIA CEARENSE GANHA COMPETITIVIDADE

A nova linha pode posicionar o Ceará como uma plataforma siderúrgica mais completa, capaz de executar uma etapa que até o momento só ocorre fora do estado ou do Brasil. É o que avalia Eldair Melo, economista e membro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE).

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“Pode reposicionar o Ceará em quatro dimensões. Sofisticação industrial, integração com cadeias nacionais, atração de fornecedores e clientes industriais e adensamento do Complexo do Pecém, que deixa de ser apenas porto e zona industrial, e avança como plataforma de transformação”, aponta. 

O especialista ressalta que o projeto está em fase inicial e não há confirmação da aplicação do investimento para expansão industrial. Em caso de avanço, deve haver geração de renda e emprego qualificado.

O diferencial é sair de uma lógica mais primária de siderúrgica para uma lógica de maior transformação industrial. O impacto não está apenas dentro da usina, espalha-se pela cadeia produtiva do Pecém e pela economia cearense. Eldair Melo

Economista

Diário do Nordeste questionou a ArcelorMittal sobre os prazos para a definição do projeto e estimativa de geração de empregos com a nova linha, mas a empresa informou que não divulgará as informações. 

ATENDE MERCADOS INTERNO E EXTERNO 

O Brasil possui uma demanda consolidada de bobinas a quente, abastecida por grandes siderúrgicas instaladas em estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, explica César Barros.

A produção no Ceará poderia atender tanto o mercado nordestino quanto outros mercados nacionais, além da possibilidade de exportação, segundo o presidente do Simec.

“O crescimento de setores como infraestrutura, energia, construção e indústria de transformação mantém esse produto entre os mais importantes da cadeia do aço”, aponta. 

Como a planta do Pecém tem mercado consolidado para a exportação de placas de aço, os gargalos logísticos para o envio dos novos produtos são diminuídos, complementa Eldair Melo.

“Essa nova linha pode posicionar o Ceará como uma plataforma siderúrgica mais completa, capaz de atender o Brasil e, ao mesmo tempo, disputar mercados externos com produto de maior valor agregado. Exportar placa é importante, mas exportar ou vender bobina quente agrega mais valor”, avalia. 

DIÁRIO DO NORDESTE

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