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Como será o terminal de cargas da Transnordestina que vai funcionar no Porto do Pecém?

Evando Moreira
Jornalista, fundador, editor, analista político.

Equipamento será voltado principalmente para grãos.

O terminal de cargas da Ferrovia Transnordestina no Porto do Pecém terá investimento total de R$ 3 bilhões e deve dobrar a capacidade de movimentação de produtos no porto, conforme análises de fontes especializadas no setor.

O equipamento recebeu o nome de Terminal de Uso Privado da Nordeste Logística (TUP Nelog).

Como o próprio nome já enuncia, o empreendimento será privado, bem como o ramal ferroviário de 7,5 quilômetros (km) que vai servir como conexão à Transnordestina que terá investimento de R$ 150 milhões, como explica Tufi Daher Filho, diretor-executivo de Infraestrutura e Logística da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

“Estamos com a concorrência pronta, já nos credenciamos no Fundo da Marinha Mercante para termos acesso aos fundos, e até o final do ano, estará tudo contratado, inclusive o terminal, com os silos”, projeta.

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Ainda que o prazo para a entrada em operação do terminal esteja para 2028, Tufi afirma que o empreendimento deve começar a funcionar em 2027, em período similar à conclusão da Transnordestina.

“Aqui é o início da obra na primeira etapa dela, que vamos finalizar em 2027 com a Transnordestina e entrar em operação no final de 2027”, comenta.

Terminal de cargas da Transnordestina no Pecém terá investimento de R$ 3 bilhões.

Legenda: Terminal de cargas da Transnordestina no Pecém terá investimento de R$ 3 bilhões.

Foto: TLSA/Divulgação.

Como será o terminal de cargas?

De acordo com informações da Transnordestina Logística S.A. (TLSA), concessionária responsável pela construção e operação da ferrovia de mesmo nome, o terminal será destinado à armazenagem e movimentação de cargas, e deve gerar, na primeira fase de implantação, cerca de 1 mil empregos diretos.

“Ele possibilitará a integração logística da Transnordestina ao Pecém. Terá capacidade operacional, a ser alcançada gradualmente, de 30 milhões de toneladas/ano de cargas como grãos, minérios, fertilizantes, carga geral e contêineres”, observa a empresa.

Tufi aponta ainda que a capacidade de movimentação de cargas do TUP Nelog deve mais do que dobrar a atualmente existente no Porto do Pecém, que é de 20 milhões de toneladas/ano de mercadorias.

“Esse terminal terá 84 hectares, com possibilidade de expansão. A previsão é ter três armazéns de grãos de 125 mil toneladas cada. Vamos ter uma expedição para fertilizantes também bastante significativa. Vai ter uma ‘pera ferroviária’ gigante que vai dar agilidade”, acrescenta Tufi Daher Filho.

'Pera' ferroviária é uma infraestrutura circular que serve para agilizar o embarque e desembarque de mercadorias, e fica normalmente instalada em regiões portuárias ou de grandes movimentações de cargas e/ou ferrovias.

Legenda: ‘Pera’ ferroviária é uma infraestrutura circular que serve para agilizar o embarque e desembarque de mercadorias, e fica normalmente instalada em regiões portuárias ou de grandes movimentações de cargas e/ou ferrovias.

Foto: Porto de Imbituba/Divulgação.

Além do ramal ferroviário e do terminal de cargas, será construída ainda uma esteira para escoamento de grãos, minérios e fertilizantes do terminal para os berços de atracação do porto, com investimento de aproximadamente R$ 500 milhões.

Transnordestina terá outros terminais de carga ao longo do percurso

Além do TUP Nelog, a Transnordestina terá uma série de empreendimentos para carga e descarga de mercadorias ao longo dos mais de 1,2 mil km de trajeto.

O terminal no Pecém se junta aos empreendimentos de Missão Velha e Maranguape como empreendimentos intermodais construídos pela TLSA ao longo da linha férrea.

Além das infraestruturas em solo cearense, outras cinco serão edificadas em Piauí e em Pernambuco.

Os outros três terminais no meio do Ceará — IguatuQuixeramobim e Quixadá — serão construídos por parceiros da TLSA do setor privado.

No caso de Quixeramobim, trata-se do único porto seco previsto até o momento para ser construído no caminho da ferrovia. A perspectiva anterior era de que Missão Velha e Iguatu também tivessem portos secos.

Existe ainda a perspectiva de que sejam construídas quatro Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) no interior do Estado, no caminho da Transnordestina, de modo a complementar a atuação da ZPE no Pecém.

Veja a lista de terminais intermodais da Transnordestina:

  1. Eliseu Martins (PI);
  2. Bela Vista do Piauí (PI);
  3. Paulistana (PI);
  4. Trindade (PE);
  5. Salgueiro (PE);
  6. Missão Velha (CE);
  7. Terminal Logístico de Iguatu (CE);
  8. Porto Seco de Quixeramobim (CE);
  9. Quixadá (CE);
  10. Centro Logístico e Industrial do Ceará (Clic) — Maranguape (CE);
  11. TUP Nelog — Porto do Pecém (CE). 

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