
Viagem do presidente brasileiro nesta semana tem agenda econômica e diplomática, mas também pode impactar o jogo político no Brasil.
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Por Andréia Sadi
Apresentadora do Estúdio i, na GloboNews.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta transformar o encontro com Donald Trump, nesta semana, em um ativo político, mas o que se vê nos bastidores é que essa viagem tem pelo menos três camadas.
Primeiro, tem a agenda substantiva, oficial: o governo quer tratar de temas concretos e sensíveis – investigação sobre o Pix, regulação das big techs, minerais raros, tarifas comerciais e até crime organizado. Essa é a pauta formal que o Brasil leva para a mesa.
Mas existe um pano de fundo político-eleitoral que pesa tanto quanto. Segundo fontes do governo, há uma preocupação clara com uma eventual interferência externa na eleição brasileira. A avaliação é que o Brasil não está exatamente no radar direto do Trump, mas está, sim, no radar do Departamento de Estado, visto como mais ideológico e com interlocução próxima de bolsonaristas.
E qual seria o risco? Uma atuação indireta, sobretudo no ambiente digital: campanhas com apoio internacional, impulsionamento em redes sociais, algo difícil de mensurar, mas que preocupa.
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Lula assina medida provisória do Desenrola 2.0. — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República

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Nesse contexto, Lula também tentaria buscar uma espécie de “blindagem” política — um compromisso informal de não interferência.
E tem um terceiro ponto, que é o efeito doméstico: a viagem ajuda o governo a virar a página da derrota de Jorge Messias, indicado pelo presidente para o STF mas barrado pelo Senado.
Mesmo sem ter provocado o encontro — que partiu dos Estados Unidos — Lula consegue explorar a imagem de liderança internacional. Num momento de desgaste interno, aparecer em agenda com os EUA funciona como demonstração de força e de comando.
Ou seja: é uma viagem com agenda econômica e diplomática, mas também com impacto direto no jogo político aqui dentro.
G1







