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Imagem de Nossa Senhora de Fátima fica ‘presa’ na alfândega de Fortaleza; igrejas buscam liberação

Evando Moreira
Jornalista, fundador, editor, analista político.

Receita Federal solicitou documentos para autorizar saída.

O que era para ser uma comemoração religiosa se tornou dor de cabeça para entidades da Igreja Católica no Ceará. Isso porque a réplica de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, enviada de Portugal para exibição em dois templos no Estado, está retida desde a última segunda-feira (27) na alfândega do Aeroporto de Fortaleza.

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A situação foi exposta pelo padre Ivan de Souza, pároco do Santuário de Fátima, na missa do meio-dia de segunda-feira. A celebração marcaria a chegada da imagem ao local, mas o sacerdote explicou para o templo lotado de fiéis que os planos haviam sido frustrados.

“Desde 7h30, o pessoal está no aeroporto para pegar a santa e já fizeram tudo que é de protocolo, mas faltou um documento da Paróquia de Assaré, que não chegou”, disse o padre Ivan.

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A Paróquia Nossa Senhora das Dores de Assaré é integrante da Diocese de Crato, no Cariri, a 520 km da capital. A previsão era que após a exposição em Fortaleza, a imagem sacra seguiria para o interior nessa sexta-feira (1º), dentro da programação oficial da Trezena de Nossa Senhora de Fátima 2026.

Ao Diário do Nordeste, membros da Paróquia e Santuário Nossa Senhora de Fátima que acompanham a situação de perto relataram que a pendência do documento persistia na manhã desta quarta (29), embora a previsão de liberação esteja “próxima”.

“Rezem para a Polícia Federal liberar a imagem, porque o lugar dela é aqui”, pediu o padre Ivan na missa. “Nossa Senhora quer vir para casa, não quer ficar na Polícia, mas vai chegar com a graça de Deus”.

A réplica vem da localidade de Cova da Iria, onde fica o Santuário de Fátima. A vinda ao Brasil integra a tradição das imagens peregrinas, produzidas pelo santuário para atender à grande demanda de fiéis em diferentes países.

A estátua se assemelha à primeira Imagem Peregrina, confeccionada em 1947 seguindo instruções da Irmã Lúcia – a mais velha dos três pastorinhos de Fátima, que relataram aparições de Nossa Senhora em 1917.

Padre celebra missa atrás de um altar coberto por uma toalha branca na Igreja de Fátima. O presbitério possui elementos em mármore e decorações douradas, com fiéis dispersos nos bancos em primeiro plano acompanhando a celebração.
Legenda: Padre Ivan de Souza comentou sobre situação em missa na segunda-feira (27); altar vazio (à direita) aguarda imagem.Foto: Reprodução/Santuário de Fátima em Fortaleza.

Qual documento falta?

Embora o padre tenha mencionado a Polícia Federal, o órgão responsável pela fiscalização aduaneira de bagagens e encomendas oriundas de outros países é a Receita Federal do Brasil.

Segundo os membros da Igreja que acompanham o impasse, a retenção da imagem religiosa no Aeroporto de Fortaleza ocorreu pela ausência da Declaração Simplificada de Importação (DSI), documento exigido pela Receita para regularizar a entrada de bens no país em situações não comerciais, como doações ou exposições temporárias.

A DSI funciona como um registro oficial da importação. É por meio dela que algum responsável declara o que está entrando no Brasil, informa o valor estimado do item (mesmo quando não há compra) e assume formalmente a responsabilidade pela carga. 

Embora seja um objeto religioso, a réplica de Nossa Senhora de Fátima não é considerada bagagem pessoal, já que está destinada à exposição pública. Por isso, precisa seguir regras específicas de importação. Logo, sem o documento, a imagem não pode ser liberada, pois fica sem enquadramento legal na alfândega.

Como será a liberação?

Diário do Nordeste buscou a Diocese de Crato para saber se a instituição sabia que o documento seria necessário, quais informações o formulário pede e se há previsão para o envio do documento à Receita para a liberação, e aguarda resposta.

A reportagem também buscou a Superintendência Regional de Polícia Federal no Ceará e a 3ª Região Fiscal da Receita Federal para entender qual é a expectativa de liberação da imagem, mas ainda não obteve retorno.

A reportagem apurou que, na manhã dessa quarta, ainda seria preciso habilitar a Diocese do Crato no sistema Radar (Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros), sistema eletrônico da Receita Federal que centraliza informações sobre atividades fiscais, contábeis e aduaneiras de empresas e pessoas físicas que realizam operações de comércio exterior.

A habilitação no Radar é requisito para acessar o Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), por onde são processados despachos de importação e exportação. Na prática, sem Radar, não é possível importar ou exportar legalmente no Brasil.

DIÁRIO DO NORDESTE

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