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Celular só aos 15, alfabetização no hospital: como gêmeos brasileiros de 18 anos chegaram a universidades de elite nos EUA

Evando Moreira
Jornalista, fundador, editor, analista político.

Camila e Mateus Shida nasceram e cresceram em Bastos, cidade com 20 mil habitantes, no interior de São Paulo. Eles afirmam que a disciplina e o apoio familiar foram decisivos para a aprovação em instituições de ensino renomadas: MIT e Cornell.

A parceria sempre existiu, mas com pitadas de uma rivalidade saudável, conta a dupla.

“Não é que eu queira ser melhor que ela, mas se a Camila resolve fazer algo, eu sinto que aquilo se torna o novo padrão de exigência. Eu rendo mais quando ela está no mesmo projeto”, explica Mateus, rindo.

Nos anos finais do ensino fundamental, os gêmeos puderam contar com uma tutoria à distância de professores do Colégio Etapa. No ensino médio, Camila e Mateus mudaram-se para São Paulo e passaram a estudar presencialmente na instituição, com bolsas de 75% e 100%, respectivamente.

“A gente via aqueles times olímpicos de escolas grandes e queria fazer parte daquilo, de estar perto de pessoas que sonhavam alto e não se contentavam com pouco”, conta Camila.

Eles foram aprovados nas universidades americanas assim que terminaram a educação básica. Nos dois casos, poderão escolher o curso ao longo da graduação — ambos provavelmente optarão por alguma área da engenharia.

🙏A cultura japonesa e o ‘dever de retribuir’

Bastos, cidade no interior paulista conhecida como a “Capital do Ovo”, tem forte influência da imigração japonesa. Essa herança cultural moldou não apenas a rotina de estudos, mas a visão de mundo dos jovens, que cresceram sob o princípio de gratidão e de serviço à comunidade.

“Temos muito forte essa coisa de querer retribuir para a sociedade. Fomos formados por essa rede de apoio no interior e queremos, no futuro, aplicar o que aprendermos fora para resolver problemas aqui no Brasil”, afirma Camila.

Na adolescência, os dois desenvolveram um projeto voluntário para dar aulas de matemática em escolas públicas da cidade.

🤸‍♀️Nada de ficar só sentado

Apesar da rotina intensa de estudos, o esporte sempre foi atividade obrigatória para os irmãos: dança, baseball, beach tennis

A tensão do resultado, inclusive, foi vivida em quadra. No dia em que a resposta de Cornell foi liberada, Mateus estava jogando no clube da cidade. “Tentei abrir o site, mas a internet estava ruim, errei a senha, o site travou… foi um caos”, recorda Mateus. O alívio só veio em casa, com o computador funcionando e a tela sendo tomada por confetes digitais (sim, havia esse recurso visual).

Já Camila recebeu a notícia do MIT em março, no chamado “Pi Day” (14/03, em referência ao número pi, cerca de 3,14).

“Eu estava sozinha em São Paulo, sem expectativa. Quando vi os castorezinhos, que são o mascote do MIT, caindo na tela, entrei em choque total. Minha mãe gritava ao telefone e eu não conseguia nem responder”, diz.

Estudar em universidades no exterior, como Cornell ou MIT, pode custar entre US$ 90 mil e US$ 100 mil por ano. Ainda assim, a mãe dos gêmeos ressalta que essas instituições oferecem caminhos para viabilizar o acesso. No MIT, por exemplo, o aluno é admitido primeiro e, depois, a universidade avalia sua condição econômica para oferecer apoio conforme a necessidade. Em Cornell, o processo também leva em conta o perfil acadêmico e a realidade do candidato.

🧐E os primos?

É uma árvore genealógica com um currículo invejável, digamos assim:

  • duas primas de Camila e Mateus estudam em universidades americanas (Michigan e Notre Dame);
  • e a irmã mais velha deles faz medicina na Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein.

“Nossa família sempre acreditou muito nisso. Nossas mães cresceram se apoiando e colocando todo mundo nos mesmos cursos e incentivos”, explica Camila.

Com tantos aprovados em instituições de elite, sobra para o primo mais novo, de 17 anos, lidar com a “pressão”. Ele está no terceiro ano do ensino médio e quer medicina em universidades de ponta, como USP ou Unicamp.

“A gente é muito próximo e fica zoando, coitado”, diz Mateus. “Mas a verdade é que nossa família deu sorte. Estar em um ambiente onde todo mundo quer algo a mais faz com que o sonho de estudar fora deixe de ser algo impossível e vire uma possibilidade real para todos.”

G1

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