detailingshop-header-pic1
Inteligência artificial e a transformação das profissões do futuro
15 de julho de 2025
‘Eu fiz o máximo possível’, diz Vojvoda ao se despedir da torcida do Fortaleza no Pici
15 de julho de 2025
15 de julho de 2025

Exportações brasileiras para os EUA caíram pela metade desde 2001

Evando Moreira
Jornalista, fundador, editor, analista político.

O fato: O peso dos Estados Unidos na pauta comercial do Brasil encolheu significativamente nas últimas duas décadas. Segundo o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgado nesta segunda-feira (14) pela FGV/Ibre, a participação americana nas exportações brasileiras caiu de 24,4% em 2001 para 12,2% em 2024, uma redução de 51%. O recuo consolida a perda de protagonismo americano diante do avanço da China, que hoje responde por 28% das vendas externas do Brasil, contra apenas 3,3% no início do século.

A União Europeia e a América do Sul também viram sua fatia diminuir, mas ainda superam os Estados Unidos na pauta de exportações nacionais: 14,3% e 12,2%, respectivamente.

No mesmo período, as importações brasileiras vindas dos EUA caíram de 22,7% para 15,5%, uma retração de 32%. A China, mais uma vez, ampliou espaço: saltou de 2,3% para 24,2% nas compras feitas pelo Brasil.

Exportações brasileiras por parceiro comercial (2024)

  • China: 28%
  • União Europeia: 14,3%
  • América do Sul: 12,2%
  • Estados Unidos: 12%

Tarifação americana de 50% pressiona relações: O novo pacote tarifário anunciado por Donald Trump, com taxação de até 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, agrava o cenário. Segundo a FGV, o tarifaço tem motivações políticas, e não apenas comerciais, o que limita as possibilidades de negociação por parte do governo brasileiro.

Trump já recuou de medidas semelhantes no passado, como em abril deste ano, quando a ameaça de tarifação de 10% foi retirada após negociação bilateral. Mas desta vez, o contexto é mais complexo. A carta americana que anunciou a taxação mencionou diretamente decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro como justificativas.

A balança comercial entre os dois países, que já é deficitária para o Brasil desde 2009, piorou em 2025: no primeiro semestre, o déficit foi de US$ 1,7 bilhão.

Produtos mais afetados

O estudo do Icomex destaca que, ao contrário da pauta com a China, concentrada em petróleo, soja e minério de ferro, as exportações brasileiras para os EUA são mais diversificadas. Dez produtos somam 57% da pauta, com destaque para petróleo bruto (14%), aço (8,8%), aeronaves (6,7%) e café torrado (4,7%).

Entre os itens mais vulneráveis à taxação estão:

  • Ferro fundido e ferro spiegel: 86% das exportações vão para os EUA
  • Produtos semimanufaturados de ferro ou aço: 72,5%
  • Aeronaves: 63%
  • Pás mecânicas e escavadeiras: 53%
  • Sucos de frutas: 34%

Governo e STF reagem: O governo brasileiro iniciou articulações diplomáticas e sinalizou que pode aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, o que elevaria tarifas para produtos importados dos EUA. O STF também reagiu: em carta assinada por seu presidente, ministro Luís Roberto Barroso, a Corte negou haver perseguição política no país e apontou “compreensão imprecisa dos fatos” por parte do governo americano.

A FGV considera que há margem para reversão da medida, dada a pressão que pode vir de empresas americanas afetadas, muitas delas multinacionais com operações no Brasil. O comportamento oscilante de Trump também é um fator de incerteza.

“No momento, é esperar que negociações sejam possíveis, que Trump siga o comportamento Trump Always Chickens Out (Taco)”, afirma o estudo.

FOCUS PODER

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Ver mais

20 de maio de 2026
Compartilhe a notícia Facebook Twitter Linkedin Whatsapp Gmail Nesta quarta-feira, 20, dia da abertura do evento, o estande do governo do Ceará recebeu a visita do […]
20 de maio de 2026
Compartilhe a notícia Facebook Twitter Linkedin Whatsapp Gmail O pagamento referente aos cartões sociais Comida na Mesa e Gás no Fogão já foram iniciados. É a […]