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Cheia de 2025 afeta 530 mil pessoas e deixa mais da metade do Amazonas em emergência; veja antes e depois

Evando Moreira
Jornalista, fundador, editor, analista político.

g1 reuniu imagens que mostram o antes e depois em algumas cidades, revelando os impactos da cheia de 2025 em contraste com os cenários de seca severa enfrentados pelo estado em 2024.

O Amazonas vive um ciclo anual de cheias e secas nos rios, mas em 2025 esse padrão tem se mostrado diferente. Em julho, mês em que o Rio Negro normalmente começa a baixar, o nível da água em Manaus continua subindo e alcançou 29,04 metros na sexta-feira (4), segundo o Porto da capital — situação que não ocorria desde 2014.

Apesar da elevação, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) avalia que o Rio Negro não deve atingir a marca histórica de 30,02 metros, registrada em 2021.

Além da capital, o nível dos rios também continua subindo em cidades como Itacoatiara, banhada pelo Rio Amazonas, e Manacapuru, às margens do Rio Solimões.

Veja abaixo as cotas máximas e mínimas dos rios em municípios do estado que seguem em cheia, segundo dados da Defesa Civil desta sexta-feira (4).

  • Fonte Boa (Médio Solimões)
    Cota atual: 21,57 metros
    Cota mínima registrada: 7,12 metros (em 2024)
  • Manacapuru (Baixo Solimões)
    Cota atual: 19,75 metros
    Cota mínima registrada: 2,06 metros (em 2024)
  • Itacoatiara (Médio Amazonas)
    Cota atual: 14,42 metros
    Cota mínima registrada: -0,14 metro (em 2024)
  • Parintins (Baixo Amazonas)
    Cota atual: 8,42 metros
    Cota mínima registrada: -2,68 metros (em 2024)
  • Manaus (Rio Negro)
    Cota atual: 29,04 metros
    Cota mínima registrada: 12,11 metros (em 2024)

Segundo o SGB, as chuvas que caíram em Manaus e em outras cidades da região nos últimos dias influenciaram diretamente a elevação das águas. Com o avanço da cheia, 40 dos 62 municípios do estado estão em situação de emergência. Ao todo, mais de 530 mil pessoas já foram afetadas.

g1 reuniu imagens que mostram o antes e depois em algumas cidades, revelando os impactos da cheia de 2025 em contraste com os cenários de seca severa enfrentados pelo estado em 2024.

Itacoatiara – Rio Amazonas

Imagem Liam Cavalcante, da Rede Amazônica
— Foto 1: Liam Cavalcante, da Rede Amazônica — Foto 2: Liam Cavalcante, da Rede Amazônica
Imagem Liam Cavalcante, da Rede Amazônica
— Foto 1: Liam Cavalcante, da Rede Amazônica — Foto 2: Liam Cavalcante, da Rede Amazônica
Imagem Liam Cavalcante, da Rede Amazônica
— Foto 1: Liam Cavalcante, da Rede Amazônica — Foto 2: Liam Cavalcante, da Rede Amazônica

Benjamin Constant – Rio Solimões

Imagem Rede Amazônica
— Foto 1: Rede Amazônica — Foto 2: Rede Amazônica

Manaus – Rio Negro

Comparativo mostra Manaus na seca de 2024 e na cheia de 2025 — Foto: Rede Amazônica

Comparativo mostra Manaus na seca de 2024 e na cheia de 2025 — Foto: Rede Amazônica

Por que os rios da região ainda continuam subindo?

De acordo com a pesquisadora em Geociências e superintendente regional do Serviço Geológico do Brasil, Jussara Cury, a cheia prolongada em Manaus é resultado direto de dois fatores principais: o acúmulo de chuvas na parte norte da bacia amazônica e o represamento natural causado pelo Rio Solimões, que ainda apresenta níveis elevados.

“Nesse momento, estamos com chuvas concentradas na parte norte da bacia, o que inclui sub-bacias como a do Rio Negro e do Branco. Esse volume de água está sendo represado pelos níveis ainda altos do Solimões. Como os dois rios se encontram na região metropolitana de Manaus, o Rio Negro acaba ficando parado, sem conseguir escoar”, explicou.

Além disso, o fenômeno não se restringe à capital. Os altos níveis do rio também são observados em cidades localizadas antes de Manaus, no caminho que o rio percorre até a capital, como Manacapuru, e também depois de Manaus, no sentido que o rio segue, como Itacoatiara.

“Temos registros de cotas acima de 29 metros não só em Manaus, mas também em Manacapuru e Itacoatiara. Isso mostra uma estabilidade dos níveis em toda essa área da bacia, dificultando o início da vazante”, esclareceu Jussara.

As chuvas em pleno mês de julho causam estranhamento, mas, segundo pesquisadora, estavam previstas nos boletins climáticos e têm origem em influências oceânicas.

“Essas chuvas agora em julho parecem atípicas, mas estavam previstas nos boletins climáticos. Elas são influenciadas pelo Atlântico, que tem trazido mais umidade para a região.”

Chuva na madrugada de hoje agravou cheia dos rios no Amazonas

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Chuva na madrugada de hoje agravou cheia dos rios no Amazonas

Comparação com anos anteriores

O comportamento dos rios neste ano lembra outros episódios de cheia tardia. Jussara cita 2014 2009 como os casos mais semelhantes.

“O ano mais próximo em que tivemos um pico de cheia tão tardio foi 2014, quando o rio também ficou parado por alguns dias em julho com cotas altas. Outro caso foi 2009, que até pouco tempo era considerada a segunda maior cheia da região”, disse.

A pesquisadora também explicou a estabilidade dos rios na região e a aproximação da vazante:

“Essa oscilação de um centímetro por dia em Manaus indica que o rio está estável e em transição para o início da descida. O Alto Solimões já começou a baixar, e essa tendência deve chegar à região de Manaus nos próximos dias”, concluiu.

Situação atual no estado

Cheia dos rios no AM coloca 40 dos 62 minucípios do estado em situação de emergência

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Cheia dos rios no AM coloca 40 dos 62 minucípios do estado em situação de emergência

De acordo com o último boletim do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, 133.711 famílias foram atingidas — cerca de 534 mil pessoas afetadas diretamente. As nove calhas de rios do Amazonas seguem em processo de cheia, com picos variando entre março e julho.

Segundo os decretos municipais:

  • 40 cidades estão em Situação de Emergência
  • 18 em Alerta
  • 4 em Normalidade

Ajuda humanitária

Para enfrentar a situação, o Governo do Amazonas já enviou:

  • 580 toneladas de cestas básicas
  • 2.450 caixas d’água de 500 litros
  • 57 mil copos de água potável
  • 10 kits purificadores do programa Água Boa
  • 1 Estação de Tratamento Móvel (Etam)

O apoio tem alcançado principalmente municípios como HumaitáManicoréApuíBoca do AcreNovo AripuanãBorbaAnamã, entre outros.

Alunos do interior estudam de casa

Na área da educação, 444 alunos foram impactados em quatro municípios — Anamã, Itacoatiara, Novo Aripuanã e Uarini — e seguem com aulas remotas pelo programa “Aula em Casa”.

Ações na capital

Cheia do Rio Negro já impacta negativamente trabalhadores do Centro de Manaus

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–:–/–:–Silenciar somMinimizar vídeoTela cheia

Cheia do Rio Negro já impacta negativamente trabalhadores do Centro de Manaus

Em Manaus, a prefeitura intensificou ações emergenciais nos bairros mais afetados, como Educandos, São Jorge, Matinha, Presidente Vargas e Mauazinho.

No bairro Educandos, mais de 800 metros de pontes provisórias já foram construídos, para garantir o acesso da população a escolas, igrejas e serviços essenciais.

A entrega de cestas básicas, kits de higiene e água potável está prevista para a próxima semana. Segundo a Defesa Civil de Manaus, não será necessário o deslocamento de moradores, já que as estruturas emergenciais oferecem segurança e mobilidade.

A prefeitura também monitora a situação das áreas rurais e prepara um plano habitacional que prevê a entrega de mais de 15 mil moradias nos próximos quatro anos, parte delas destinadas a famílias que vivem em áreas de risco.

Com o aumento do volume de chuvas, a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) recolheu 2.559 toneladas de lixo entre janeiro e maio e barrou 1.359 toneladas de resíduos com ecobarreiras para evitar a poluição dos igarapés e do Rio Negro.

A assistência social continua com a entrega de alimentos, colchões e kits de higiene para famílias em situação de vulnerabilidade.

Monitoramento

A Defesa Civil estadual segue com o monitoramento contínuo dos rios por meio do Centro de Monitoramento e Alerta. Em caso de emergência, a população pode acionar o órgão pelo número 199 ou pelo telefone alternativo (92) 98802-3547.

Cheia dos rios no Amazonas atinge meio milhão de pessoas

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